Oceana, que voltou sozinha para o Hotel Lumière, sentia-se cada vez mais solitária quanto mais pensava naquilo.
A melhor amiga com quem cresceu a havia deixado de lado num piscar de olhos.
Assim que entrou pela porta do hotel, saiu logo em seguida para tomar uma bebida no bar mais próximo.
Ficar tonta ajudava a dormir. Enquanto a noite de amor para os outros valia ouro, para ela os dias passavam como anos, ficando acordada olhando para o teto sem conseguir dormir.
Ela jurou que só pretendia beber dois copos para ajudar a dormir.
Quem diria que, por algum motivo, bebeu demais, tanto que ao acordar havia esquecido completamente o que acontecera na noite anterior.
Mas quando abriu os olhos e viu que estava no quarto do hotel, aquele que ela tinha reservado, deu uma risadinha.
Com certeza o garçom percebeu que ela tinha bebido muito e ligou para Sabrina, que a trouxe de volta.
Fazer a Sabrina correr no meio da noite deve ter deixado Henrique muito irritado.
Mas o fato de tê-la deixado sozinha no hotel?
No entanto, comparado a Henrique, que teve seus bons momentos interrompidos e devia estar de péssimo humor, ela resolveu relevar.
Levantou da cama cantarolando, pronta para ir ao banheiro se lavar, mas assim que colocou o pé lá dentro, viu um homem sentado no vaso sanitário.
Através do vidro jateado, além do fato de ser um homem alto, não dava para ver mais nada.
Oceana soltou um grito e recuou rapidamente.
O constrangimento de pegar um homem sentado no vaso sanitário era nada comparado ao pânico de acordar de ressaca e ver um homem desconhecido no seu quarto de hotel.
Ela segurou a maçaneta da porta do banheiro, com as pupilas tremendo.
Aos poucos, descartou a ideia de que Sabrina a havia trazido para o hotel.
Será que, na noite anterior, ela achou um homem no bar, empurrou a chave do quarto para ele e pediu que a trouxesse para casa?
Ela imediatamente se apalpou.
Não adiantava apalpar, ela não era uma menininha inexperiente, como saberia pelo toque se algo havia acontecido na noite anterior?
Oceana mordeu os lábios e tossiu duas vezes para limpar a garganta.
Houve um silêncio mortal lá dentro.
Oceana começou a pensar se havia forçado o cara, prometendo-lhe uma família?
Um garoto inocente em busca de amor puro?
— Palavras ditas sob efeito do álcool não contam. A educação da minha família é muito rigorosa, e a traição conjugal também é punida pela lei. Você ainda é jovem, não vai ser o amante, né? No futuro, você vai encontrar uma mulher melhor...
Finalmente, passos soaram lá de dentro.
Oceana imediatamente soltou a maçaneta e deu dois passos para trás.
Ela estava um pouco em pânico.
Ela era apenas uma mulher de língua solta, não tinha o costume de fazer maldades e era péssima em lidar com esse tipo de situação.
Se o cara fosse feio e só quisesse dinheiro, xingando por aí, ela estaria disposta a armar um escândalo e bater boca.
Mas e se o cara fosse bonito, quisesse amor e tivesse sido enganado pelas suas bobagens de bebedeira? O que ela faria?

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