RUBI MONTENEGRO
Era uma tarde de sexta-feira. Estávamos deitados na nossa cama, enrolados debaixo do edredom. Ares estava encostado na cabeceira, passando os dedos pelos meus cabelos de forma rítmica, enquanto a TV passava um programa qualquer de decoração com o volume baixo.
Me virei de barriga para cima e olhei para o rosto lindo dele. As olheiras de hospital já haviam sumido, e ele estava com a barba perfeitamente feita de novo, cheirando àquela loção pós-barba amadeirada que deixaria qualquer mulher maluca.
— Ares? — chamei, o tom de voz sério.
Ele abaixou o olhar para mim imediatamente, parando a carícia no meu cabelo.
— O que foi, querida? Está precisando de algo?
— Não. — Me sentei na cama, cruzando as pernas e ficando de frente para ele. Segurei a mão grande dele entre as minhas. — Nós precisamos conversar. Sobre nós. Acho que já tenho uma conclusão sobre nós.
Vi o pomo de adão dele subir e descer rapidamente. Ares engoliu em seco, os músculos dos braços ficaram tensos na mesma hora. Ele se preparou para o pior.
— Rubi... — ele começou, a voz um pouco áspera. — Eu sei que eu cometi muitos erros no início. Eu fui um completo imbecil. Mas se você me der mais tempo...
— Shhh. Me escuta — interrompi, sorrindo de forma gentil e acariciando os nós dos dedos dele. — Eu só queria te dizer que...
De repente, um som agudo e estridente invadiu o quarto.
A programação da TV foi cortada abruptamente. Uma vinheta vermelha e chamativa de Plantão de Notícias Urgentes piscou na tela, iluminando o nosso quarto escuro.
Meu pai e minha mãe apareceram, escoltados por policiais federais. Eles estavam algemados. As roupas de grife de Leonora estavam amassadas, e o cabelo, antes perfeito, estava encharcado e grudado no rosto. Matthew parecia ter envelhecido vinte anos, pálido, com a cabeça baixa e os ombros caídos, tentando esconder o rosto dos flashes das câmeras.
"O casal foi sentenciado a quinze anos de reclusão em uma penitenciária federal de segurança máxima, sem possibilidade de fiança ou redução de pena imediata" — a voz da âncora continuou. "Todas as propriedades, contas bancárias e ativos da família Montenegro foram confiscados pelo Estado para o pagamento das indenizações."
Fiquei paralisada, assistindo às duas pessoas que tornaram a minha infância e juventude um verdadeiro inferno sendo empurradas para dentro do camburão da polícia. A arrogância, a crueldade e o elitismo deles não serviram para nada no final. O império de aparências ruiu completamente.
Eles perderam tudo. O status, o dinheiro, a liberdade. Eles caíram na própria teia de mentiras e corrupção.
Meus pais colheram o que eles mesmos plantaram. Acho que essa é uma conclusão adequada para eles

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!