ARES BECKETT
A mulher engoliu em seco, olhando aterrorizada para o meu rosto e depois para Rubi, que nos encarava.
— Fale! — rosnei, perdendo o resto da paciência.
— E-eu... eu sentei na cadeira dela — gaguejou, com a voz esganiçada. — Ele disse que era casado, mas eu insisti. Eu coloquei a mão na perna dele para provocar, e ele... ele quase quebrou os meus dedos mandando eu me afastar. Eu juro! Foi exatamente isso!
Olhei para Rubi, esperando ver a culpa lavar aquele rosto lindo.
— Suma da minha frente — falei para a francesa. — E se chegar a menos de dez metros de nós novamente, vou garantir que sinta falta do seu privilégio de andar.
A mulher não esperou um segundo aviso. Saiu correndo como se o próprio diabo a perseguisse.
Virei para a minha esposa e ergui uma sobrancelha, aguardando o meu merecido pedido de desculpas.
Rubi piscou algumas vezes. Ela olhou para o copo em sua mão, depois para mim, e deu de ombros com tranquilidade.
— É... talvez eu tenha te julgado mal. Dessa vez. — E foi isso. Ela virou o restinho da bebida goela abaixo, fez uma careta e bateu o copo no balcão. — O desfile da Beckett já vai começar. Vamos terminar de assistir.
Fiquei com cara de idiota enquanto ela me dava as costas e caminhava de volta para o salão. Talvez eu tenha te julgado mal? Dessa vez? Ao menos isso significava que estava tudo bem entre nós, certo? Parei de pensar e fui atrás dela.
Sentamos nas nossas cadeiras VIP e assistimos ao desfile da minha marca. A coleção estava perfeita, mas minha atenção se dividia entre as modelos na passarela e a mulher ao meu lado, que estava muito silenciosa.
Quando o desfile terminou, o salão explodiu em aplausos. Sendo o dono da marca que fechou a noite, fui imediatamente cercado por investidores, jornalistas e parceiros bajuladores querendo tirar fotos.
— Vou pegar uma bebida — Rubi sussurrou, aproveitando a confusão para escapar de fininho.
Tentei segurá-la, mas um empresário francês me puxou para um abraço e começou a tagarelar. Foram os vinte minutos mais longos da minha vida. Eu sorria e apertava mãos no piloto automático, enquanto meus olhos caçavam Rubi pela multidão, mas ela havia sumido.
Assim que consegui me livrar do último bajulador, marchei direto para o bar do evento.
— Você devia ficar bravo mais vezes, Beckett. Fica uma delícia. Menos quando é comigo, prefiro não ser alvo da sua raiva.
— Nós vamos para o hotel. Agora — decretei, segurando-a pela cintura.
— Eu sei andar! — ela protestou, dando um passo para trás com um biquinho indignado.
Ela tentou dar um passo, cruzou as pernas de um jeito desajeitado nos saltos altos e tropeçou nos próprios pés. Antes que ela fosse de cara no chão, meus braços voaram, capturando-a no ar.
Suspirei pesadamente, aceitando o meu destino. Abracei o corpo dela, passei um braço por trás dos joelhos dela, o outro nas costas, e a levantei do chão.
— Ei! Eu tô voando! — ela riu alto, agarrando o meu pescoço.
— Sim, você está voando direto para a cama, pinguça — murmurei, caminhando a passos largos para fora do evento com ela nos braços.
Se eu achava que tentar ser um "cara legal" era difícil, logo descobriria que lidar com essa versão atrevida da minha esposa, sozinhos em um quarto de hotel ia exigir todas as forças que eu tinha...

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!