RUBI MONTENEGRO
— Eu... eu aceito.
As palavras saíram da minha boca como cacos de vidro, cortando minha garganta. O gosto amargo da derrota inundou minha boca. Eu estava me vendendo ao Ares novamente. Mas era para salvar um homem bom de ser destruído por minha causa.
Ares sorriu satisfeito.
— Ótima escolha, Sra. Beckett. — Ele se afastou, pegando o celular. — Eu sabia que tomaria a decisão mais racional.
Ele discou o número e colocou o aparelho no ouvido, sem desviar os olhos de mim nem por um segundo.
— Sou eu. Acione o Plano B. Sim. Solte os documentos de contraprova. A investigação "descobriu" que os e-mails foram forjados por uma empresa fantasma concorrente. Limpe tudo. Quero a reputação da Bane Fashion imaculada.
Ele desligou e pôs o celular na mesa.
— Está feito. — Ele anunciou, como se tivesse apenas pedido uma pizza e não manipulado a vida de centenas de pessoas. — Em alguns minutos, a mídia vai começar a noticiar a "reviravolta chocante".
Senti um alívio avassalador e uma náusea profunda.
— Agora, a sua parte. — Ares levantou a mão e acariciou minha bochecha com o polegar. Eu estremeci, mas me forcei a não recuar. — Quando eu chegar em casa à noite, quero todas as suas coisas no meu quarto. — Ele se inclinou e sussurrou no meu ouvido. — E quero você na minha cama.
Engoli em seco e assenti. Peguei minha bolsa e saí do escritório dele o mais rápido que pude.
Entrei no carro e dirigi de volta para a Bane Fashion.
Quando cheguei à empresa, o clima era completamente diferente de quando saí.
Assim que pisei no andar da presidência, vi funcionários abraçados, rindo e apontando para as televisões ligadas nas paredes.
— Rubi! — A secretária de Domênico correu até mim, com os olhos brilhando. — Você viu? Foi um milagre!
Olhei para a tela da TV. A âncora do jornal falava com seriedade:
"...reviravolta no caso Bane Fashion. A Polícia Federal confirmou há poucos instantes que os documentos incriminatórios eram falsificações grosseiras plantadas por hackers. A empresa foi inocentada de todas as acusações. As ações já voltaram a subir e especialistas dizem que a marca sairá fortalecida..."
Suspirei, aliviada. Ares cumpriu a palavra.
Caminhei até a sala de Domênico. A porta estava aberta.
Ele estava de pé, olhando para a TV, com uma expressão de choque e segurava o telefone, provavelmente recebendo as boas notícias dos investidores que, horas antes, queriam a cabeça dele.
— Domênico? — chamei suavemente.
Ao me ver, ele largou o telefone na mesa e correu até mim, me envolvendo em um abraço apertado. Domênico me tirou do chão, girando-me no ar.
— Rubi! Acabou! Eles descobriram que era falso! — Ele riu, uma risada de alívio puro. — Eu não sei como, mas aconteceu!
— Ele pediu que eu parasse com as ameaças de divórcio. — Disse meia verdade. — Ele quer manter as aparências de um casamento feliz por mais três meses. Só isso.
Domênico suspirou, passando a mão pelo cabelo.
— Só isso? Tem certeza?
— Tenho. — Segurei a mão dele. — Não se preocupe comigo. Eu sei lidar com o meu marido. O importante é que a sua empresa está salva.
Ele sorriu com gratidão.
— Obrigado, Rubi. Você me salvou.
Obracei-o uma última vez, sentindo o calor dele, o cheiro dele, sabendo que, a partir de hoje, eu não poderia mais ter esses momentos.
— Eu preciso ir — murmurei, me afastando. — Tenho que organizar algumas coisas em casa.
— Vá com cuidado.
Saí da sala dele antes que começasse a chorar.
Hoje à noite, eu dormiria na cova dos leões. E eu não tinha nenhuma arma para me defender, exceto a promessa vazia de um homem que não merecia um pingo de confiança.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!