ARES BECKETT
TRÊS DIAS DEPOIS...
Foram setenta e duas horas de pura agonia desde a nossa conversa no carro.
Hoje era o aniversário da Rubi, e a mansão estava lotada de convidados, acionistas e, claro, a imprensa que eu mesmo fiz questão de convocar no mês passado.
Enquanto eu esperava no pé da grande escada do saguão, ajeitando as abotoaduras do meu smoking pela décima vez, percebi que meu coração batia em um ritmo notavelmente acelerado. Eu, Ares Beckett, estava suando frio.
E eu tinha três bons motivos para estar à beira de um colapso nervoso naquela noite.
Primeiro: enviei uma grande caixa para o quarto dela mais cedo com um presente. Um vestido. Dessa vez, não impus um figurino bege ou sem graça para esconder as curvas dela. Tentei seguir o gosto pessoal da minha esposa, escolhendo uma peça cor terracota e cheia de brilho. Mas será que ela usaria? Será que eu finalmente tinha acertado? Ela ficaria brava comigo de novo? Pensaria que estou impondo coisas a ela?
Segundo motivo: a transferência. Os advogados já estavam a postos no salão. Em poucos minutos, na frente dos jornalistas, eu assinaria os documentos passando exatamente cinquenta por cento de todo o meu patrimônio e da Beckett Industries para o nome dela, cumprindo a promessa que fiz em rede nacional.
E o terceiro e mais aterrorizante motivo: a resposta dela. Rubi me prometeu que hoje diria se queria continuar casada comigo ou não. Eu queria desesperadamente acreditar que a decisão dela seria a que eu tanto desejava, mas a minha esposa era uma mulher imprevisível. Ela poderia muito bem aceitar metade da minha fortuna hoje e, com a mesma graciosidade, me entregar os papéis do divórcio amanhã.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo som de saltos.
Levantei os olhos para o topo da escada e, por um segundo, o ar fugiu dos meus pulmões.
Ela está usando o vestido.
Rubi descia os degraus parecendo uma verdadeira deusa. O tecido terracota cravejado de brilhos reluzia sob a luz, moldando-se perfeitamente a cada uma das suas curvas fartas. O decote em V valorizava os seios dela na medida certa, enquanto a saia possuía uma fenda que revelava um vislumbre das pernas grossas a cada passo.
Fui até o encontro dela no último degrau, hipnotizado.
— Você está muito elegante, senhor Beckett — ela brincou, parando na minha frente e avaliando o meu smoking.
Balancei a cabeça, completamente encantado.
— E você... — murmurei, dando um passo para perto e diminuindo a distância entre nós. — Você está tão linda que a própria Afrodite ficaria de joelhos perante sua beleza, Rubi.
O salão inteiro prendeu a respiração. Todos sabiam o que aconteceria agora.
Peguei a caneta que o meu advogado me entregou. Olhei para Rubi, que me observava de perto, testando a minha coragem e a minha lealdade.
Assinei a primeira via, depois a segunda, e a terceira. Quando terminei, entreguei a caneta para Rubi. Com um sorriso de canto, ela assinou a sua parte, aceitando a doação irrevogável.
Pronto. Eu havia acabado de entregar metade de tudo o que tinha no mundo para a mulher que estava se tornando meu mundo. Rubi, ao 24 anos, era oficialmente a bilionária mais nova, rica e poderosa do país.
O flash das câmeras disparou freneticamente, registrando o momento histórico para estampar a capa dos jornais do dia seguinte.
Me aproximei dela sob a chuva ensurdecedora de aplausos, peguei a sua mão direita e beijei as costas dos seus dedos, demonstrando a minha total submissão diante das câmeras.
— Feliz aniversário, minha rainha — sussurrei.
A banda ao vivo começou a tocar uma música animada logo em seguida, marcando o início oficial da festa. Mas a única coisa que realmente importava para mim era descobrir, antes que aquela noite acabasse, se o coração dela finalmente seria todo meu.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!