Quando acordou, a cama estava lotada de gente — seus "parentes" sob o papel.
Eles o olhavam com escrutínio, espanto e rancor invejoso, mas sem nenhuma preocupação sequer.
Até seu pai ostentava aquela profundidade ilegível naqueles olhos escuros.
Ele os estava vendo de novo, tendo retornado àquele lugar.
Ele tirou dez anos de felicidade minha, e agora tudo isso estava prestes a chegar ao fim?
Ele não compreendia. Todos ali o detestavam e queriam sua morte, por que então o capturaram de volta?
Por que o arrancaram do paraíso?
— Pensei que você já estava morto, quem diria que ainda estaria vivo.
Gabriel repetiu preguiçosamente o que lhe fora dito na época.
Isso refletia a ideia anterior de Antônio e agora, logicamente, também a de Gabriel.
Têm o mesmo destino, pai e filho de sangue.
Antônio manteve os olhos presos ao teto e não segurou uma risada. — Está um pouco decepcionado?
Gabriel não deu seu veredicto.
Os dois entendiam dentro de si que não havia ninguém mais ansioso pela morte um do outro do que eles.
Claro, tampouco temiam a morte, mesmo esperando pelo ataque.
Gabriel beliscou o tubo com os dedos aos poucos, assistindo ao sangue entrando e saindo da extremidade da agulha.
— Não tem ninguém lá fora. Por que não me mata?
Gabriel deu uma leve risada, pegou a cadeira para se sentar e cruzou as pernas.


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