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Marisa sentou-se no banco do motorista, apertou o cinto de segurança e soltou um longo suspiro, como se tivesse se livrado de um peso carregado há muito tempo.
As coisas tinham sido muito mais tranquilas do que ela imaginava.
Ela ergueu os olhos e olhou para si mesma no espelho. Parecia mais magra, com olheiras e sem energia, mas seus olhos não estavam mais tão apagados quanto antes.
Ela já não era mais a Sra. Valli. Voltou a ser apenas Marisa: livre para fazer o que quisesse, sem precisar se preocupar com regras da família ou com o próprio status.
O telefone tocou; era Giovana.
— Oi, Marisa. Como foi hoje?
Marisa apertou o botão de ligar do carro e deu a volta. — Tudo correu muito bem, já terminamos.
— Sério? O Lorenzo foi tão direto assim?
Marisa respondeu com um sorriso: — E o que mais? Como herdeiro da família Valli, acha que ele vai ter problemas em encontrar alguém melhor?
— Faz sentido. — Barulhos começaram a vir do outro lado da linha.
Marisa perguntou em dúvida: — O que você está fazendo?
Giovana inclinou a cabeça para segurar o celular enquanto embalava seus cosméticos. — Arrumando as malas, claro. Volto em alguns dias.
— Sério? — Os olhos de Marisa brilharam instantaneamente. Seu tesouro estava finalmente voltando. O dia havia ficado mais claro.
Ela e Giovana foram colegas no ensino fundamental. Marisa havia se transferido de Porto Norte para morar com o avô e acabaram sentando uma atrás da outra. Com o tempo, as duas se deram muito bem, e mais tarde Giovana conheceu Gabriel Arantes por meio de Marisa.
No início, ela achava que Gabriel era o irmão biológico de Marisa, mas depois soube que ele era adotado.

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