Ela já não se lembrava muito bem.
Até se perguntou se não havia exigido demais de Lorenzo.
Parecia que ele, do começo ao fim, sempre se lembrou de que a essência daquele casamento era um acordo comercial. Foi ela quem sucumbiu, contato após contato e dormindo na mesma cama.
Ele havia seguido as regras; ela as havia quebrado. Ela nem sabia se devia culpar Lorenzo por ser tão lúcido ou a si mesma por ser tão tola.
O vento da manhã ainda estava um pouco frio, levantando de leve a barra da saia de Marisa.
Um casal também havia chegado cedo com ela. Usavam roupas combinando, seguravam flores e tiravam fotos cheios de felicidade na frente da placa da porta.
Talvez a felicidade deles tivesse contagiado Marisa. Ao vê-los sorrindo, os cantos de seus lábios também se ergueram de forma incontrolável.
Eles também deviam ter tido insônia na noite passada, pensou ela.
Aos seus pés havia uma sacola contendo o acordo de divórcio, a certidão de casamento e uma caixa de veludo preta quadrada.
Marisa estendeu a mão, pegou a caixa e a abriu. Lá estava um anel de diamante cintilante, grande e bonito, que Lorenzo havia escolhido pessoalmente.
Ela segurou o anel na ponta dos dedos e o mediu no dedo anelar, lembrando-se de como ele próprio o havia colocado ali no dia do casamento, três anos atrás.
Gentil e cuidadoso.
Ela não sabia o que Lorenzo pensava naquela época, só sabia que, quando a Marisa de antes encontrou aqueles olhos, seu coração realmente falhou uma batida.
Ela olhou para o anel com uma expressão mista, sentindo algo indescritível no peito.
Desorientação, perplexidade ou talvez outra coisa.
Sentia como se estivesse deixando para trás três anos inteiros de memórias guardadas no peito. Sabia que esse ciclo tinha chegado ao fim, mas ainda sentia todo o carinho daqueles dias.
Ela não sentia falta daquele casamento, sentia falta de si mesma no passado, quando era cheia de entusiasmo.
Ela baixou os olhos e acariciou o anel, depois o colocou de volta e fechou a caixa.



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