A correria da vida e o barulho da cidade grande diluíram aquela afeição mais sincera que tiveram.
De repente, ela se culpou um pouco por tratá-lo com tanta repreensão e desconfiança quando se reencontraram.
Marisa olhou para o homem à sua frente, com a voz suave: — Gabriel, você esteve bem nesses últimos anos?
A mão de Gabriel, que descascava a fruta calmamente, tremeu de repente ao ouvir a pergunta dela. Ele não ergueu a cabeça, e Marisa viu as pálpebras dele se moverem, sem saber o que ele estava pensando.
— Deve ter estado muito bem, pelo menos melhor do que na família Arantes. Você recebeu ensino superior e se tornou alguém mais capaz.
— Marisa.
Gabriel levantou os olhos, encarando-a: — O antes não importa. Só acho que agora estou muito bem.
Por tê-la, estava muito bem.
A enfermeira entrou para trocar os remédios, interrompendo o clima no quarto.
Depois de retirar a agulha, a enfermeira teve medo que ela tivesse febre à tarde e sugeriu que saísse à noite.
— A propósito, sobre a Mestra Helena que falei da última vez, você planeja ir a Serra Dourada depois da competição?
Gabriel entregou a pera descascada para Marisa.
Ela assentiu: — Quero ir tentar e aproveitar para relaxar.
Ele mencionou como quem não quer nada: — Naquela noite... você estava com Lorenzo?
Lorenzo?
Marisa franziu a testa: — Do que você está falando?
Gabriel disse: — No terceiro dia em que você me pediu para investigar, eu te liguei à noite e foi o Lorenzo quem atendeu.
— Sábado à noite?
— Sim. Na hora, eu ia te dizer que a pessoa estava em Serra Dourada.
Então, a pessoa que ela viu na noite em que foi ao bar era mesmo Lorenzo.
Ele falou, como se quisesse confirmar algo: — Já era tarde da noite. Achei que você devesse estar dormindo, por isso não pedi para te acordar.


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