— Pai.
Uma voz interrompeu os risos dentro do pavilhão. Otávio virou a cabeça e imediatamente viu as duas figuras nos degraus.
Ele pausou por um momento e acenou para que os dois subissem.
Marisa começou:
— Pai.
Lorenzo segurava a mão de Marisa e a apresentava aos convidados ao lado:
— Esta é minha esposa, Marisa.
Marisa cumprimentou a todos de forma generosa e elegante, entregando a caixa de presente em sua mão para Otávio:
— Feliz aniversário, pai.
Ao abri-la, havia um traje tradicional chinês preto com gola alta, com bordados de veados e grous da primavera. Os botões de fio de ouro estavam dispostos de forma impecável, e as nuvens douradas nos punhos davam um toque de nobreza. Era solene e precioso.
Otávio tirou a roupa, olhou para cima e para baixo, com o rosto expressando satisfação:
— Muito bom. Você mesma que confeccionou essa peça?
Marisa inclinou-se e respondeu:
— Espero que não desgoste.
Otávio assentiu, sorrindo de leve:
— Foi atencioso.
Lorenzo, que estava ao lado, lançou o olhar para Marisa. Se fosse no passado, ele acreditaria que ela tinha feito aquilo costurando cada fio.
Mas agora, dado o atual relacionamento conflituoso dos dois, naturalmente não acreditaria; talvez ela tivesse pego uma roupa qualquer que não vendeu para passar por cima da situação.
O tio Vicente, que até então não havia falado nada, abriu a boca com um tom sarcástico:
— A sobrinha é incrível mesmo. Quem não a conhece até pensaria que ela é alguma jovem senhorita de uma família nobre famosa.
Exatamente como ela previra, o tio Vicente a confrontou em público.
Queria usar sua origem familiar para ser sarcástico com Otávio na frente de todos, para fazê-los pensar que a família Valli se casara com uma nora que não servia para mostrar.
Foi só por ela ter se casado com Lorenzo, ajudando-o a conseguir as ações e o expulsando, que ele tinha tanto rancor.
Mas ela já havia ouvido esse tipo de coisa muitas vezes e não sentia mais que isso fosse um ataque.



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