Achou graça: — Então me diga, que raiva eu teria para descontar?
Ela abaixou a cabeça e o tom carregava uma certa mágoa: — Não sei.
Lorenzo estendeu a mão, pegou a garrafa, encheu o copo novamente e estendeu para ela.
— Beba este copo e eu te digo o motivo.
O copo ficou pairando no ar, e ela não sabia se pegava ou não.
— Lorenzo, eu...
O nariz ardeu e as lágrimas rolaram no mesmo instante.
Foi então que Diego notou a situação por ali e se aproximou apressado, com o rosto cheio de sorrisos.
Passou um braço pelos ombros de Lorenzo e perguntou: — O que foi que aconteceu? Dei uma distraída e como é que já está chorando?
Isadora pareceu ver a sua salvação: — Diego, eu não aguento mais beber.
Vendo o copo transbordando de bebida e depois a garrafa ali do lado, Diego não pôde deixar de soltar um suspiro de espanto.
— O teor alcoólico dessa bebida é muito alto. Se não aguenta, não precisa beber.
Fez menção de pegar o copo, mas Lorenzo segurou-lhe o braço.
Ele tinha um sorriso no rosto, mas, por algum motivo, dava um frio na espinha.
— Ela aguenta sim. A própria senhorita Bittencourt disse que sua tolerância para bebida não tem problema.
Diego olhou para Lorenzo, meio confuso.
Ele nunca costumava complicar a vida dos outros sem motivo, ainda mais sendo mulher.
Mas vendo aquela atitude, ficou claro que aquela Isadora realmente tinha irritado ele.
E não tinha sido pouco.
— Eita.
Ele acabou voltando a se sentar e falou para Isadora:
— O Lorenzo já te deu o copo, é melhor você beber.
Vendo que nem o Diego ia ajudá-la, Isadora sentiu o mundo desabar e as lágrimas caíram com ainda mais força.
Mas ela também percebeu a situação: se não bebesse aquele copo esta noite, temia não conseguir sair por aquela porta.
As pessoas ao redor assistiam à cena; ninguém teve coragem de se meter para pedir por ela.
Talvez fosse porque a Isadora normalmente era muito mesquinha e, por isso, ninguém quisera se apresentar para ajudá-la.

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