Ela precisou passar a comida na água várias vezes para conseguir engolir.
O celular tocou. O restaurante estava muito barulhento, então Marisa saiu para atender a ligação num local mais tranquilo.
Era uma cliente antiga, perguntando se poderia acelerar seu pedido, pois teria um evento na semana seguinte onde gostaria de usar a peça.
Marisa olhou a planilha de pedidos no celular e sugeriu que tentaria organizar a agenda.
Após desligar, quando estava prestes a voltar para o restaurante, uma figura passou rapidamente por trás de um outdoor.
Achando ser apenas um pedestre, não deu muita atenção.
Quando terminaram a refeição, já eram nove e meia.
Giovana iria voltar com Marisa, mas recebeu uma ligação de seu avô pedindo que ela fosse até lá porque havia algo a resolver.
— Quer que eu te leve?
Giovana balançou a cabeça: — Tudo bem, eu pego um táxi. Deve ser algo com a escola do meu primo de novo. Não voltarei esta noite.
Giovana tinha um primo no ensino médio em São José dos Campos. Como as provas finais estavam chegando, provavelmente a escola tinha algum aviso.
Como o avô era idoso, não conseguia lidar com certas coisas e não as entendia bem, então frequentemente pedia a ajuda de Giovana.
— Certo. Tome cuidado, me mande mensagem quando chegar.
— Tá bom.
Quando o táxi se afastou, Marisa pegou suas chaves.
Por alguma razão, esta noite ela tinha a sensação constante de que alguém a estava seguindo.
Olhou para trás, mas não viu nada.
Será que suas noites mal dormidas a estavam fazendo ter alucinações?
Ela balançou a cabeça, abriu a porta do carro e entrou.
Havia uma escola ali perto, e a rua da frente ficava bloqueada na saída dos alunos à noite, então Marisa programou o GPS para uma rota mais larga.
Apesar do desvio, seria mais rápido do que enfrentar o trânsito.
Ligou a seta e o carro deixou a área movimentada.
Ela dirigiu por uma rua estreita e mal iluminada, quase sem tráfego.

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