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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 772

Érica permaneceu imóvel diante da porta, observando Bárbara por alguns segundos. O rosto sem cor, os olhos já tomados pelas lágrimas, os dedos presos à maçaneta e aquela única palavra escapando dos lábios trêmulos lhe entregaram muito mais do que qualquer explicação poderia entregar.

Bárbara acreditava que estava diante de Elisa.

Exatamente como Érica havia planejado.

— Bárbara... — pronunciou o nome em voz baixa, deixando a emoção entrar na medida certa enquanto dava um pequeno passo à frente.

— Não... — Bárbara recuou imediatamente, levando uma das mãos à boca enquanto examinava cada traço daquele rosto. — Não pode ser. Não pode...

— Eu sei que é difícil entender.

— Não chega perto de mim! — pediu, erguendo a mão entre as duas enquanto as lágrimas começavam a escorrer. — Fica aí. Por favor... fica aí.

Érica parou.

Bárbara continuou olhando para ela como se esperasse que, a qualquer momento, aquela imagem desaparecesse.

— Minha mãe morreu — afirmou, mas a voz saiu tão frágil que pareceu mais uma tentativa desesperada de se agarrar à única verdade que conhecia. — Minha mãe morreu de câncer. Eu era criança... minha tia me contou. Eu cresci sabendo disso.

Érica sustentou o olhar dela.

— Não, Bárbara. Eu não morri.

Bárbara perdeu o ar por um instante.

— Não fala isso... — pediu, pressionando a mão contra o peito enquanto balançava a cabeça. — Não fala uma coisa dessas para mim.

— É a verdade.

— Não! — rebateu, e um soluço escapou antes que conseguisse contê-lo. — Minha mãe morreu. Eu chorei pela minha mãe. Eu cresci sem ela. Então não aparece na minha porta depois de todos esses anos dizendo simplesmente que não morreu.

Érica deixou os olhos se encherem de uma tristeza cuidadosamente calculada.

— Foi isso que minha irmã contou a você?

Bárbara congelou.

A pergunta fez uma lembrança atravessar sua mente com violência.

Foi isso que sua tia querida contou? Que gracinha.

A voz de Alberto surgiu tão nítida em sua memória que Bárbara sentiu um arrepio percorrer o corpo.

— Alberto... — murmurou, levando lentamente os olhos até Érica.

Dessa vez, ela precisou controlar a própria reação.

— O que tem Alberto?

— Ele me disse a mesma coisa. — Bárbara enxugou uma lágrima com a ponta dos dedos, respirando cada vez mais rápido. — Disse que minha mãe não morreu de câncer. Disse que ela... surtou e desapareceu.

Érica permaneceu alguns segundos em silêncio.

Era quase perfeito.

Alberto já havia preparado o terreno.

— Então ele contou.

Bárbara franziu a testa.

— Contou o quê?

— Uma parte da verdade.

— Que verdade? — perguntou imediatamente, aproximando-se um passo. — Que parte da verdade?

— Talvez seja melhor conversarmos lá dentro.

— Não. — Bárbara segurou a porta com mais força. — Você vai falar aqui. Eu quero saber o que está acontecendo.

Érica respirou profundamente.

— Eu não morri de câncer, Bárbara.

As lágrimas voltaram aos olhos dela.

— Então onde você estava?

— Longe.

— Longe onde?

— Tentando sobreviver.

Bárbara soltou uma risada entrecortada pelo choro.

— Durante a minha vida inteira?

Érica abaixou os olhos.

— Eu tentei voltar.

Bárbara ficou completamente imóvel.

— O quê?

— Eu tentei procurar você.

— Não.

— Mais de uma vez.

— Não! — Bárbara balançou a cabeça com força, passando as mãos pelos cabelos enquanto começava a andar pelo hall. — Não faz isso comigo. Não inventa uma coisa dessas.

— Eu procurei você, Bárbara.

— Então por que nunca me encontrou?! — Ela se virou bruscamente, e a dor rompeu de vez a contenção que ainda tentava manter. — Eu não estava escondida! Eu fui à escola, tive aniversário, fiquei doente, cresci, fui adolescente, virei adulta! Eu estava aqui! Onde você estava enquanto tudo isso acontecia?

Érica não respondeu imediatamente.

— Minha irmã não deixou que eu chegasse até você.

Bárbara parou.

— Minha tia?

— Érica não queria que eu voltasse para sua vida.

— Não. — Ela balançou a cabeça, chorando. — Minha tia nunca faria isso comigo.

— Você conhece uma Érica que eu nunca conheci.

— Ela me criou!

— Eu sei.

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