A mensalidade para esses alunos era igual à de uma escola pública, e alunos mais pobres podiam até obter isenção total. O objetivo era formar alunos de destaque.
Mas a verdade era que as famílias ricas também investiam muito na educação dos filhos, e a maioria desses alunos tinha um ótimo desempenho escolar, como era o caso de Tainá.
Eles se desenvolviam de forma abrangente, englobando artes, música e muito mais. Nos últimos anos, a taxa de aprovação deles no vestibular havia até mesmo ultrapassado a do Colégio Primus.
Portanto, as duas escolas estavam sempre competindo. Até mesmo os alunos se enfrentavam na internet; eles não se suportavam.
Carlos Xavier falava as coisas mais irritantes: — Fazer o quê? Nós temos sorte de nascer onde nascemos. Não adianta morrer de inveja; deve ser recompensa das nossas vidas passadas.
Com essa sua atitude ridícula, mesmo se nascesse de novo, jamais teria a mesma sorte.
— Seu...
O aluno cerrou os punhos de raiva, querendo partir para a briga. Ele até levantou a mão, mas não teve coragem de abaixá-la.
No fim, foi Tainá quem interveio e os interrompeu.
— Chega, mostre o caminho direito. Sobre qual escola é melhor, deixaremos as notas falarem por si mesmas.
Eu já gravei o vídeo de você nos levando para o caminho errado de propósito agora mesmo.
Se tentar nos enganar de novo, vou denunciar você em nome da escola e farei com que seja expulso.
— Você...
Ele queria chamá-la de desprezível, ardilosa, mas, com medo da denúncia e lembrando-se de que realmente os havia guiado mal de propósito, decidiu engolir seco.
Embora ainda estivesse furioso, não ousou pregar mais nenhuma peça.
Para evitar qualquer fraude, os assentos na sala de provas foram organizados intercalando alunos de escolas diferentes.
Por ironia do destino, de quase vinte escolas no distrito, o Valenúbia acabou ficando na mesma sala que os alunos do Colégio Primus.
Tainá, Luna, Ana e os outros encontraram seus respectivos lugares conforme os números em seus cartões de inscrição.
Ainda faltavam várias dezenas de minutos para a prova, e, assim que estavam se preparando para sair e dar uma olhada, alguns alunos de outra escola se aproximaram.
— Você é a Tainá Torres?
Tainá ergueu o olhar: — O que foi?
— Onde está Ana? Quem é Ana?
— Sou eu.
Ana olhou para eles.
— Sou Lucas, do Colégio Primus.
— Sou Marcos, do Colégio Primus.
— Vamos duelar com vocês. As notas vão revelar a verdade no fim.
No fórum das duas escolas, o tópico [Valenúbia vs Primus, Tainá/Ana vs Lucas/Marcos] foi fixado no topo.
Abaixo havia uma guerra explosiva de xingamentos entre os alunos.
— Não ligue para isso, concentre-se apenas na prova.
Tainá aconselhou.
— Não caiam nessa, as pessoas que estão brigando são aquelas que não vão participar das olimpíadas.
Carlos Xavier os alertou.
— Isso mesmo, vamos fazer uma boa prova e esmagá-los com nossas notas!
— Ainda não dá para saber quem vai esmagar quem.
Alguns alunos do Primus haviam acabado de entrar.
— Luna, melhor ficar quieta.
Débora puxou Luna pelo braço.
Os alunos de fora, vendo que faltava pouco tempo, não abriram mais a boca.
Naquele dia, depois do término das provas, enquanto embarcavam no ônibus de volta, Luna perguntou a Tainá em voz baixa: — Por que a Laura não veio?

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