Lucinda Barros havia sido sequestrada.
Quando abriu os olhos, sentiu uma dor aguda na palma da mão direita; um sapato coberto de lama esmagava sua mão.
Meia hora antes, enquanto voltava dirigindo para casa, de repente os freios do carro falharam e o veículo se chocou violentamente contra a via.
Ainda atordoada pelo impacto, pessoas surgiram não se sabe de onde, a puxaram para fora do carro e a levaram à força até aquele canteiro de obras abandonado.
“Quem são vocês afinal? Se vou morrer, ao menos quero saber por quê!”
Naquele momento, Lucinda era pressionada de modo que nem conseguia levantar a cabeça, sua voz tremia de tanto medo.
O homem se curvou, usando um boné, e Lucinda conseguiu ver o olhar gélido e ameaçador que se escondia sob a aba do chapéu.
O homem pegou uma barra de ferro que estava ao lado.
“Dra. Barros, nós não matamos nem praticamos incêndio, mas alguém pagou para que levássemos embora sua mão direita. Só queremos que entenda.”
Lucinda estremeceu por dentro. Sendo cirurgiã, perder a mão seria o mesmo que destruir seu futuro.
“Bonita você é, mas infelizmente vai virar uma inválida.” O homem apertou o rosto dela com os dedos ásperos.
Lucinda fitava a barra de ferro que reluzia friamente; não ousava imaginar o que seria de seu futuro se aquela barra lhe atingisse. Ela não podia terminar assim, sem sentido.
“Quanto vocês querem? Eu... meu ex-namorado tem dinheiro, ele é da família Mendes. Posso ligar para ele, qualquer valor que pedirem, ele pagará!”
“Família Mendes?” O homem ponderou sobre as palavras dela, talvez por achá-la uma mulher indefesa, afrouxou a vigilância, tirou o pé de cima dela e sentou-se numa cadeira próxima, indicando para que os outros dois a soltassem.
A restrição sobre Lucinda cessou e, cambaleando, ela conseguiu se levantar.
O homem pegou o telefone e fez sinal para que ela ditasse o número.
“133... 327... não, espera, é 357...”
“Não tente truques.” O tom do homem soou impaciente.
“Estou um pouco confusa, afinal é ex-namorado, preciso lembrar...” Fingindo nervosismo, ela continuou a soletrar: “133357...”
Enquanto o homem digitava, de cabeça baixa, Lucinda rapidamente apanhou um pedaço de tijolo do chão e, com todas as forças, golpeou a cabeça dele...
Ouviu o homem ferido praguejar e os outros dois se apressarem para verificar o estado do colega.
Naquele instante, embora sua mão estivesse dormente, sua mente permanecia incrivelmente lúcida. Aproveitou a confusão e correu imediatamente para fora.
Só conseguiria uma chance se escapasse dali.
“Porra, o que estão esperando? Corram atrás! Não deixem ela fugir!”
……
A chuva torrencial encharcou Lucinda por completo.
Sem saber para onde ir, guiou-se apenas pela luz em meio à escuridão, correndo desesperadamente pelo terreno cheio de pedras do canteiro abandonado.
Finalmente, Lucinda enxergou a fonte de luz à frente: um carro parado com os faróis acesos.
O veículo, estacionado sob a chuva, era imponente e luxuoso, destoando totalmente daquele cenário de concreto e ferragens.


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