Antes que as palavras terminassem, a camisa fina e macia escorregou das pontas dos dedos dela.
O homem caminhou friamente para fora, parecendo uma pessoa completamente diferente daquela que fora gentil há pouco.
Só então Helena percebeu que a idosa já havia sido embalada para dormir por ele.
Ela olhou para trás, para a figura severa dele, e sentiu pena de si mesma por alguns segundos.
Como ela ousou fazer um pedido a ele?
Ele a ajudara repetidas vezes, e ela achou que os dois tinham alguma amizade.
Se não fosse pela urgência da situação durante o dia e pela necessidade dele de ter alguém fingindo ser sua noiva para acalmar o coração da idosa.
Ele jamais teria cedido o Dr. Prado para a mãe dela.
Isso não era amizade, era uma transação.
Helena saiu do quarto e viu Enzo sentado no sofá, folheando o documento em suas mãos, exalando uma frieza que mantinha qualquer um a quilômetros de distância.
— Assistente Rui, eu vou indo. — ela disse a Rui, sem ousar incomodá-lo.
— Espere um pouco, Sra. Martins, isto é para você. — Rui lhe entregou uma sacola.
Depois de pegar e verificar o conteúdo, ela olhou atônita para Enzo, e depois voltou o olhar para Rui: — O que é isso?
Na caixa de presente, havia um cartão black sem limite, a escritura de uma mansão na encosta da montanha e a chave de uma Ferrari de edição limitada.
— As coisas que o nosso chefe prometeu dar a você, estão especificadas no contrato. — lembrou Rui. — Sra. Martins, esqueceu?
Na hora, ela tinha dado apenas uma olhada e achou que qualquer herdeira da alta sociedade que recebesse aquele contrato aceitaria.
Só a casa valia 150 milhões, e ainda faria o CEO do Grupo Rossi dever um favor a ela.
Talvez, mesmo sem dinheiro, aquelas herdeiras também estariam dispostas.
Era uma oportunidade única de se aproximar do gênio superior.
— Eu não posso aceitar. — Helena colocou a sacola na mesa de centro.
O homem ficou ainda mais frio e sombrio, e ergueu os olhos para encará-la.
Ela sentiu como se estivesse presa no lugar pelo olhar afiado e profundo dele.
Era um pouco assustador.
— A Sra. Martins quer queimar a ponte depois de atravessar o rio e não pretende cumprir o acordo? — O tom de Enzo era frio.
— Não, não é isso que eu quero dizer.
— Se você não tivesse cedido o Dr. Prado, a minha mãe talvez não tivesse sido salva.
— Eu sou grata a você e nem sei como retribuir, como poderia aceitar as suas coisas?
Os dedos de Enzo pousaram levemente no canto do documento, esfregando-o de leve, e a voz dele soou fria: — Cada coisa em seu lugar.
Mas claramente era a mesma coisa, não era?
Helena não queria aceitar e também achava que não devia.
— Sra. Martins, é melhor agirmos de acordo com o contrato.
— Estas são as cláusulas, você pode lê-las de novo.
Rui entregou o contrato com um tom estritamente profissional.
Ela só pôde aceitar e folhear.

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