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Querido ex, obrigada pela traição romance Capítulo 15

3 MESES ANTES

Katherine estendeu a mão para a maçaneta, mas antes que pudesse abrir a porta, vozes surgiram do outro lado.

— Tem certeza?

Uma pausa. Então, mais baixo:

— O que você quer que eu diga, Ester?

Katherine apertou a maçaneta com mais força.

Ester soltou uma risadinha ofegante.

— Eu só acho engraçado. Você passou anos com ela, e agora ela é obrigada a cuidar de mim. — Uma pausa deliberada, e então, com uma doçura melosa: — Deve ser humilhante para ela, não acha? Ver você aqui. Saber que você está cuidando de mim agora. Ela deve se sentir tão... substituível.

Adonis soltou um suspiro exasperado. —

— Ester, não.

— Não o quê? Só estou dizendo... ela está sendo tão mesquinha sobre isso, quando nós dois sabemos que nem é real. Você só está sendo prestativo, certo? Ela está agindo como se tivesse te flagrado em algum caso tórrido. — Adônis hesitou. Tempo demais. A voz de Ester ficou mais áspera, mais insistente. — Você contou a ela, não contou? Silêncio. Ester estalou a língua, cheia de falsa simpatia. — Ah, Adônis.

A voz de Adônis baixou, como se dizer isso em voz alta pudesse piorar a situação.

— Nunca tive a chance.

Um momento de silêncio. Então, Ester soltou uma risadinha suave e incrédula.

— Quer dizer que ela está remoendo isso, achando que você me escolheu em vez dela? Que você simplesmente a abandonou?

Adonis passou a mão pelo rosto.

— Eu ia contar a ela. Devia ter contado antes de ir embora.

Katherine sentiu o estômago embrulhar.

FLASHBACK

Adonis estava na metade do caminho para o aeroporto quando foi atingido.

Ele não contou para Katherine.

— Merda. — ele murmurou baixinho, segurando o volante com mais força.

Ele tinha a intenção. Sério, tinha mesmo. Mas entre reuniões consecutivas, planejamento para o retiro de negócios e, para ser sincero, evitando o que inevitavelmente seria uma conversa difícil, ele deixou a conversa escapar.

Disse a si mesmo que não importava. Ficaria fora apenas por dois dias. Poderia explicar tudo quando voltasse.

Mas agora, sentado no saguão do aeroporto, com o telefone na mão, seu polegar pairava sobre o nome dela.

O que ele deveria dizer?

“Olá, Kate. Só um aviso: a Ester pediu minha ajuda, e eu aceitei sem te pedir. Não, não pensei em como isso poderia te fazer sentir. Além disso, estarei inacessível o fim de semana todo. Espero que não se preocupe.”

Sim. Isso seria muito bem aceito...

Então ele deixou o momento passar.

Depois outro.

E outro.

Quando ele chegou a Chicago, já fazia tempo demais. Quando o fim de semana terminou, parecia tarde demais.

E então Katherine descobriu por conta própria.

Nenhuma explicação. Nenhum contexto. Apenas a pior versão possível da verdade.

E ele não tinha ninguém para culpar além de si mesmo.

FIM DO FLASHBACK.

Adonis esfregou as têmporas.

— Eu não estava tentando esconder. Eu só... as coisas ficaram complicadas.

Ester zombou.

— Ah, por favor. Você saiu para o fim de semana, não disse nada, e agora ela mal olha para você. E você está surpreso?

Adônis cerrou os dentes.

— Eu devia ter contado a ela. Eu sei disso. Mas isso não significa que ela tinha que presumir o pior.

Ester deu um sorriso lento e cúmplice.

— Ah, Adônis. — Ela inclinou a cabeça, a voz carregada de malícia melosa. — Você realmente não entende nada de mulheres, né?

Sua carranca se aprofundou.

— Que diabos isso quer dizer?

Porque a pior parte?

Ela estava certa.

E isso tornou tudo muito pior.

Katherine ficou paralisada.

Não foi um choque.

Não foi nem uma decepção.

Foi uma realização.

Ester o havia manipulado. E Adônis a deixou.

Não ativamente. Não maliciosamente. Mas a cada momento perdido, a cada verdade não dita, a cada segundo de hesitação. Ele entregou a faca a Ester e a deixou retalhar o que restava deles.

E essa foi a parte que mais doeu.

Porque Ester não era a vilã. Não mesmo.

Não. A verdadeira traição veio do homem que Katherine um dia acreditou que nunca a machucaria daquele jeito.

Seu pulso pulsava contra as costelas, seus dedos se fechando em punhos enquanto ela engolia a amarga verdade. Não era só o fato de Adônis ter cometido um erro. Não era só o fato de ele ter se esquecido de lhe contar.

Era que, no fundo, uma parte dele ainda queria acreditar que Ester não era veneno.

E isso significava que ele sempre a deixaria entrar.

Uma pressão aguda e pungente surgiu atrás dos olhos de Katherine, mas ela se recusou a deixá-la transbordar.

Agora não.

Nunca.

Ela girou nos calcanhares, a respiração firme, as mãos relaxadas, a postura controlada. Se Adônis alguma vez pensasse que a veria desmoronar, se Ester estivesse esperando o momento em que ela desmoronaria, eles morreriam esperando.

Ela fez seu trabalho.

Ela continuaria fazendo isso.

E quando isso acabar ela deixaria os dois para trás.

Para sempre.

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