5 MESES ATRÁS.
Katherine ficou paralisada na porta, com o bipe constante dos monitores do hospital abafado pelo rugido em seus ouvidos.
Ela não pretendia parar. Não pretendia ouvir. Mas a voz de Adônis a atraiu, envolvendo-a como um fio, puxando-a em direção a uma verdade que ela não estava pronta para encarar.
— Eu simplesmente não entendo. — murmurou Adônis, com a voz baixa, mas carregada de frustração. — Como isso está te ajudando, Ester?
Ester suspirou, remexendo-se levemente na cama do hospital.
— Adônis, por favor. — Sua voz era leve, persuasiva. — Você está pensando demais.
— Não. — Disse ele com firmeza. — Você pediu por ela , e agora ela tem que cuidar de você... como isso ajuda?
Katherine prendeu a respiração.
Ester soltou uma risada suave, quase divertida.
— Faz sentido, não acha?
Adonis expirou bruscamente, esfregando o queixo.
— Não vejo como colocá-la nessa posição beneficia alguém.
Katherine se afastou da porta, com o pulso pulsando nos ouvidos. Ela precisava de ar. Precisava de espaço. Precisava de...
— Doutora Morgan.
Ela se assustou e se virou para encontrar o Doutor White parado no final do corredor, com os braços cruzados e uma expressão ilegível.
— Eu só estava... — ela começou, mas não fazia sentido terminar a frase. Ele sabia.
O Doutor White olhou para o quarto da qual ela acabara de sair antes de encontrar seu olhar novamente.
— Os Cooper são grandes benfeitores deste hospital. — disse ele, com a voz contida. — Espero que você se comporte de acordo.
Um peso frio se instalou em seu peito.
— Você está me dizendo que eu tenho que ficar nesse caso? — ela perguntou, com a voz mais baixa agora.
— Estou lhe dizendo que acho que seria melhor se você fizesse isso. — corrigiu o Doutor White suavemente. — Considere isso uma oportunidade de demonstrar seu profissionalismo.
Um longo momento de silêncio se estendeu entre eles. Katherine engoliu em seco, sentindo a bile subir pela garganta.
— Entendido.
A médico deu um pequeno aceno antes de ir embora, deixando-a sozinha no corredor mal iluminado, com o mundo tombando sob seus pés.
Ela pressionou a mão contra as costelas, como se de alguma forma conseguisse se manter firme.
SALA DE EXAMES 3
— Vou pedir para uma enfermeira providenciar um quarto privativo. — disse ela rapidamente. — Enquanto isso, gostaria de fazer alguns exames adicionais. Só para descartar qualquer possibilidade.
Os lábios de Ester se abriram, como se quisesse protestar, mas ela se conteve, controlando a expressão para algo mais suave, mais cooperativo.
— Claro. — murmurou. — O que você achar necessário.
Katherine assentiu brevemente, virando-se para a porta.
— Uma enfermeira chegará em breve.
Ela não esperou por uma resposta.
No segundo em que ela entrou no corredor, o ar em seus pulmões pareceu mais pesado. Suas mãos apertaram as bordas do prontuário, suas unhas cravando-se no papel enquanto ela respirava lentamente. Ela havia mantido a compostura. Ela havia feito seu trabalho. Mas, por dentro, tudo parecia desequilibrado.
Ela passara anos naquele hospital, dedicando-se aos pacientes e ao trabalho. Era para ser um lugar de profissionalismo e ética. Mas Adônis a distorcera de forma diferente. Ele a forçara a agir, usara sua influência, suas conexões, suas mentiras para tornar a vida dela um inferno de uma forma tão sutil, tão insidiosa, que ninguém mais a enxergaria como realmente era.
E agora?
Agora, ela tinha que entrar na brincadeira.
Porque se não o fizesse, ela perderia mais do que apenas seu orgulho.
Ela perderia tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido ex, obrigada pela traição