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Querido ex, obrigada pela traição romance Capítulo 14

5 MESES ATRÁS.

Katherine ficou paralisada na porta, com o bipe constante dos monitores do hospital abafado pelo rugido em seus ouvidos.

Ela não pretendia parar. Não pretendia ouvir. Mas a voz de Adônis a atraiu, envolvendo-a como um fio, puxando-a em direção a uma verdade que ela não estava pronta para encarar.

— Eu simplesmente não entendo. — murmurou Adônis, com a voz baixa, mas carregada de frustração. — Como isso está te ajudando, Ester?

Ester suspirou, remexendo-se levemente na cama do hospital.

— Adônis, por favor. — Sua voz era leve, persuasiva. — Você está pensando demais.

— Não. — Disse ele com firmeza. — Você pediu por ela , e agora ela tem que cuidar de você... como isso ajuda?

Katherine prendeu a respiração.

Ester soltou uma risada suave, quase divertida.

— Faz sentido, não acha?

Adonis expirou bruscamente, esfregando o queixo.

— Não vejo como colocá-la nessa posição beneficia alguém.

Katherine se afastou da porta, com o pulso pulsando nos ouvidos. Ela precisava de ar. Precisava de espaço. Precisava de...

— Doutora Morgan.

Ela se assustou e se virou para encontrar o Doutor White parado no final do corredor, com os braços cruzados e uma expressão ilegível.

— Eu só estava... — ela começou, mas não fazia sentido terminar a frase. Ele sabia.

O Doutor White olhou para o quarto da qual ela acabara de sair antes de encontrar seu olhar novamente.

— Os Cooper são grandes benfeitores deste hospital. — disse ele, com a voz contida. — Espero que você se comporte de acordo.

Um peso frio se instalou em seu peito.

— Você está me dizendo que eu tenho que ficar nesse caso? — ela perguntou, com a voz mais baixa agora.

— Estou lhe dizendo que acho que seria melhor se você fizesse isso. — corrigiu o Doutor White suavemente. — Considere isso uma oportunidade de demonstrar seu profissionalismo.

Um longo momento de silêncio se estendeu entre eles. Katherine engoliu em seco, sentindo a bile subir pela garganta.

— Entendido.

A médico deu um pequeno aceno antes de ir embora, deixando-a sozinha no corredor mal iluminado, com o mundo tombando sob seus pés.

Ela pressionou a mão contra as costelas, como se de alguma forma conseguisse se manter firme.

SALA DE EXAMES 3

— Vou pedir para uma enfermeira providenciar um quarto privativo. — disse ela rapidamente. — Enquanto isso, gostaria de fazer alguns exames adicionais. Só para descartar qualquer possibilidade.

Os lábios de Ester se abriram, como se quisesse protestar, mas ela se conteve, controlando a expressão para algo mais suave, mais cooperativo.

— Claro. — murmurou. — O que você achar necessário.

Katherine assentiu brevemente, virando-se para a porta.

— Uma enfermeira chegará em breve.

Ela não esperou por uma resposta.

No segundo em que ela entrou no corredor, o ar em seus pulmões pareceu mais pesado. Suas mãos apertaram as bordas do prontuário, suas unhas cravando-se no papel enquanto ela respirava lentamente. Ela havia mantido a compostura. Ela havia feito seu trabalho. Mas, por dentro, tudo parecia desequilibrado.

Ela passara anos naquele hospital, dedicando-se aos pacientes e ao trabalho. Era para ser um lugar de profissionalismo e ética. Mas Adônis a distorcera de forma diferente. Ele a forçara a agir, usara sua influência, suas conexões, suas mentiras para tornar a vida dela um inferno de uma forma tão sutil, tão insidiosa, que ninguém mais a enxergaria como realmente era.

E agora?

Agora, ela tinha que entrar na brincadeira.

Porque se não o fizesse, ela perderia mais do que apenas seu orgulho.

Ela perderia tudo.

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