Coincidência do destino ou não, Alice se dá conta de que está diante do marido da irmã de Richard, ao se lembrar que ele havia dito que toda a sua família morava na Califórnia.
— Creio que nunca tenha ouvido falar desse nome — responde Alice fingindo certa naturalidade.
— Tem razão, que louco estou sendo em fazer essa pergunta, me esquecendo de que Londres é enorme — Steve ri. — Me perdoe por isso, às vezes acabo falando mais do que deveria.
— Não há problema — explica.
— Mesmo assim, o meu cunhado me disse muitas coisas boas sobre Londres — revela. — Embora ele tenha voltado de lá um pouco estranho. — Sua última frase sai como um sussurro, de modo que pareceu que Steve estava refletindo.
— Estranho?
— Sim, deve ter acontecido alguma coisa com ele nesse período que esteve por lá, contudo, o Richard é reservado demais para comentar sobre.
— Ah… — reflete. — Claro. — Alice não sabe o que dizer, embora queira saber muito mais sobre o assunto.
— Me desculpa, mais uma vez estou falando coisas sem sentido para você.
— Não se preocupe — diz Alice.
— De qualquer modo, irei embora para os EUA ainda hoje, fiquei aqui por três dias e já estou com saudade de casa e dos meus filhos.
— Imagino como deva estar se sentindo.
— E o seu bebê? — aponta para a barriga dela. — É o primeiro?
— Sim — Alice acaricia a barriga. — É a primeira, descobri hoje que é uma menina.
— Meus parabéns — a felicita. — Tenho gêmeos, dois meninos muito sapecas — revela.
— Que legal, acredito que os seus filhos devem estar sentindo muito a sua falta também.
— Acho que não, eles estão com a mãe em Nova York, na casa do tio, já que é o aniversário dele — explica. — O Richard adora crianças, então creio que esteja enchendo os meninos de mimo a ponto de nem se lembrarem de mim — comenta sorrindo.
Pensar na enorme coincidência de haver se encontrado com o cunhado de Richard fez Alice se sentir confusa, em relação a procurá-lo e contar para ele sobre a gravidez, ainda após descobrir que é o aniversário dele.
A porta do elevador se abre e os dois entram.
— Acha que o Richard gostaria de ter filhos? — Alice pergunta, o que faz Steve ficar confuso quanto aquilo.
— Sim, claro que sim — responde um pouco desconfiado.
— Não me leve a mal por perguntar isso — diz ela. — É que você falou muito sobre esse tal de Richard que acabei pensando nisso.
— Claro — Steve ri. — Acredito que ele será um bom pai, mas penso que deva arrumar uma esposa para isso primeiro, já que ele é solteiro.
Saber que Richard continuava solteiro fez algo em Alice mudar. Seus sentimentos diziam a ela para tentar mais uma vez falar com ele e dizer o que estava sentindo e se passando. Talvez ele estivesse mais compreensível naquele dia.
— Espero que ele arranje uma boa mulher — comenta Alice.
Após essa conversa, os dois ficam em silêncio no elevador, até chegar no andar do estacionamento.
— Se não queria um bebê, por que não se preveniu? — questiona Silvia.
— Eu me preveni, só quando engravidei que descobri que os anticoncepcionais não estavam fazendo efeito.
— Se isso é verdade, por que não engravidou do Endrick?
— O médico me disse que o Endrick pode ter ficado estéril por conta da quimioterapia que ele já havia feito quando era criança ou pelo uso de remédio que ele fazia escondido de mim.
— Independente disso, devia usar camisinha, sua tonta, há tantas doenças por aí.
— Na maioria das vezes usei — revela.
— Vamos deixar esse assunto de lado, pois bebês sentem as emoções da mãe, então se estiver triste, ela também estará.
— Eu não sabia disso — comenta.
— Pois agora saiba — explica. — Quer saber de mais uma coisa, filha? — Silvia coloca todas as sacolas de compra no banco de trás e fica com as mãos livres para tocar na mão da filha. — Talvez esteja se sentindo insegura e triste por achar que tem que segurar essa barra sozinha, mas lembre-se de uma coisa, mesmo que o pai da criança não a queira, nós a amaremos.
— Obrigada por isso, mãe.
Quando chega em casa, Alice vai direto para o seu quarto, pega o celular e digita o número de Richard. O coração dela está acelerado e sente que nem sabe, por onde deve começar a falar.
— Alô — A voz de Richard do outro lado da linha provoca uma sensação estranha em seu corpo, que até parece que a criança chutou a sua barriga pela primeira vez.
— Richard, sou eu, Alice.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!