Tudo está ocorrendo tão rápido e intensamente na vida de Alice, que não consegue assimilar os acontecimentos. Havia terminado com o namorado e, na mesma noite, conhecido um homem intenso, sincero, mas que era uma incógnita em sua vida.
Alice deixou Richard entrar em seu quarto e os dois se deitaram na cama, sem dizer nada. Ele não a soltou do abraço, lhe consolando, e foi no calor daquele abraço, que deixou todas as lágrimas jorrarem, como se quisesse lavar a alma.
Em momento algum, Richard pergunta o que está acontecendo por querer respeitar o momento dela. Assim, os dois caem no sono abraçados.
Ao acordar pela manhã, Alice percebe estar sozinha na cama. Então, se lembra da noite passada e do quanto foi vulnerável na frente de Richard.
Como precisa trabalhar, se arruma e depois vai até a cozinha, onde encontra Richard preparando o café.
— Bom dia — ele a saúda sorridente quando a vê.
— Bom dia — responde. — Precisa de ajuda? — Pergunta, preocupada em deixá-lo cuidar de tudo.
— Não precisa, já estou quase terminando, sente-se aí — aponta para a cadeira. — Vou servir você.
— Não precisa fazer isso — diz constrangida. — Um homem como você não devia estar me servindo.
— O que quer dizer com um homem como eu? — pergunta confuso.
Alice percebe que acaba falando demais, então tenta pensar em algo para contornar aquela situação, mas acaba não tendo êxito.
— Ouvi algumas coisas sobre você — responde sem graça.
— E o que ouviu sobre mim?
— Que possui recursos suficientes para contratar profissionais especializados em preparar o café da manhã para você.
Richard ri com a resposta da mulher.
— Não é assim que as coisas funcionam — ele explica. — O fato de possuir difere de desejar que isso seja feito, compreende?
— Nem um pouco — responde ela, interessada no que ele diz.
— Posso fazer isso que mencionou, mas prefiro preparar com as minhas próprias mãos — esclarece.
— Isso não é um pouco contraditório?
— Claro que não — sorri. — Por acaso, tenho cara que gosto que as pessoas façam as coisas para mim?
— Não, não tem — confessa. — Na verdade, jamais imaginei que você seria tão rico assim, ainda mais por alugar um apartamento como esse.
— Gosto daqui — comenta.
— Achei que pessoas ricas gostassem de coberturas e prédios cheio de segurança.
— Gosto da liberdade de escolha.
— Deve gostar de privacidade também, não é? — questiona.
— Gosto, mas já sei o que vai dizer, então quero que saiba que a sua presença neste lugar está me deixando mais confortável.
As bochechas dela coram.
— É meio difícil de acreditar.
— Mas é a verdade — continua. — Você mesma não me questionou agora a pouco por eu escolher ficar num apartamento como esse ao invés de estar num lugar cheio de gente me bajulando?
— Eu falei, mas agora é diferente.
— Não, não é — a interrompe. — Também quero que saiba que, só porque as mulheres dão em cima de mim, signifique necessariamente que eu fique com elas.
— Não precisa se explicar, não tenho nada a ver com a sua vida — diz, percebendo estar sendo invasiva.
— Prefiro explicar, porque gosto das coisas bem claras. Sou um homem solteiro, Alice, mas não sou do tipo que permite que qualquer mulher deite na minha cama — responde sério.
Alice questiona o motivo de Richard estar lhe falando aquilo, ainda mais de uma forma tão séria.
— Tudo bem, eu já entendi que você é diferente do que pensei — responde, querendo encerrar aquele assunto.
— Eu também não fiquei com você só pelo fato de estar aqui neste apartamento — continua se explicando. — Te achei interessante e diferente de muitas mulheres que já conheci na vida, só pelos cinco minutos que conversamos.
— O que achou diferente em mim, Richard? — Pergunta.
— Você foi transparente comigo e não hesitou em ser você mesma, desde o primeiro momento que me viu.
— Como sabe que fui eu mesma? Você nem me conhece — brinca, achando aquele comentário um tanto estranho.
— Eu senti. — Serve uma xícara de café para ela e aproveita para deixar um beijo em seu pescoço. — Saiba de uma coisa, você não é apenas mais uma que passa por minha cama — sussurra em seu ouvido.

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