— Endrick… — sussurra.
— Estou doente, Alice, e não há muitas esperanças para mim — confessa.
— Como assim? Que tipo de doença é essa e por que nunca me contou nada a respeito?
— Porque eu sabia que isso não daria em nada. Não queria preocupar você ou te prender por conta disso.
— Me prender? Que história é essa?
— Sei que se você soubesse da minha doença, jamais teria coragem de terminar comigo, foi por isso que te poupei de tudo.
— Endrick, ficamos juntos por tantos anos, você devia ter me dito sobre o que estava passando, não devia sofrer sozinho.
— Escolhi isso, não entende? Quero passar meus últimos dias com o restante de dignidade que me resta.
— Não fala desse jeito. Que doença é esse e como sabe o tempo de vida que tem? Vamos ao médico, eu sei que deve haver algum tratamento para você.
— Não, não há — revela. — Tenho câncer, e não é um câncer comum, se chama linfoma de Hodgkin. Infelizmente, descobri tudo num estado avançado e os médicos me disseram não haver muito o que se fazer.
— Como não? Não pode acreditar no que um médico te disse, precisa escutar outros profissionais e ter um novo parecer, não pode ser tão grave assim — ela diz, sentindo um nó na garganta.
— Acha mesmo que eu não procurei por outros médicos? — Endrick pergunta. — Já fiz tudo o que devia, Alice. Só me restam duas opções agora.
— E quais são?
— Ou fico no hospital, definhando até morrer, ou decido viver meus últimos dias de vida ao lado das pessoas que amo.
— Não pode ter apenas essas opções, Endrick, isso não é verdade — diz, já com os olhos cheios de lágrimas.
Endrick se aproxima dela, tentando acalmá-la.
— Por isso, eu não queria que você soubesse, não queria te ver assim.
— Você acredita que conseguiria esconder isso para sempre?
— Não para sempre, mas até o dia da minha morte, sim!
— Não fala assim, você não vai morrer, entendeu?
— Alice, eu já aceitei o meu destino, não se preocupe com isso.
— Não, não está certo, deve haver outras alternativas. A ciência está avançando cada dia mais.
— Eu não quero que fique assim, está me ouvindo? — Toca a mão dela. — Estou feliz que tenha tomado a decisão que tomou e se afastou de mim. Daqui para a frente, seguirei com a minha vida sozinho, sem me preocupar em como você ficará.
— Você não vai — repete entre lágrimas. — Eu não vou deixar que vá.
— O que você pode fazer por mim já foi feito e eu agradeço muito pelos anos que passamos juntos, mas agora quero que respeite a minha decisão.
— Como posso seguir em frente, sabendo que você não está bem?
— Vou ficar bem, não se preocupe, quero que continue com as coisas que anda fazendo. Não se sinta culpada nem por um minuto. Como disse, se você não tivesse terminado, eu teria feito.
— As coisas não são simples, não posso ver você desse jeito sem fazer nada.
— Quando você saiu daqui, disse que poderíamos ser amigos, não disse? — pergunta.
— Prometo — ele responde, lhe estendo a mão, fazendo um trato. — Agora vá para casa, está tarde.
— Não quer que eu fique aqui com você?
— Não precisa, eu já vou dormir, pois amanhã tenho algumas coisas para fazer.
— E se precisar de algo?
— Minha mãe estará aqui bem cedo, além disso, acho que não é bom vocês se verem por um tempo, até que ela entenda que tudo não passa de um mal-entendido.
— Irei tentar me redimir com ela, eu prometo!
Ao chegar em seu apartamento, Alice vai direto para o seu quarto, mas não demora muito para Richard bater à porta.
— O que quer? — pergunta, abrindo a porta e dando de cara com ele, sem camisa.
— Vim te convidar para dormir comigo — responde, com voz sonolenta.
— Não estou no clima, pode me deixar sozinha? — pede com educação.
— Por que não fica comigo? Posso te ajudar a dormir — sugere.
Mesmo sabendo que Richard não tinha culpa de nada, estava nervosa por tudo que estava acontecendo.
— Eu não quero sexo, não entende? — Altera a voz.
— E quem disse que estou falando disso? — pergunta, demonstrando ficar ofendido com a insinuação. — Deixa eu te mostrar que não sou um homem que só tem isso a oferecer! — Pede, abraçando-a, ao notar que ela não está bem.

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