Viviane Adrie levantou o olhar e rebateu:
— O que você quer dizer com isso? Eu não posso me preocupar com o país e com as pessoas?
— Pode, claro que pode! — Orlando Rocha sorriu e deu tapinhas no ombro dela enquanto a abraçava.
Um breve silêncio se formou entre os dois. Orlando Rocha abaixou os olhos para encará-la e, após refletir por um momento, perguntou:
— Já não está mais zangada, certo? Nesses últimos dias em que você mal falava comigo, eu fiquei muito triste. Para onde quer que eu fosse, o que quer que fizesse, sentia que estava carregando montanhas nas costas.
O coração de Viviane Adrie deu um leve salto.
Ela já previa que, após aquele episódio digno de "herói salva a donzela" que ocorrera no fim de tarde, o conflito entre eles seria considerado superado.
Pensando bem, ela também havia digerido a questão ao longo daqueles dias. Como já conseguia aceitar o ocorrido, resolveu encarar a conversa com franqueza.
Ela se endireitou ligeiramente no abraço dele, adotando uma expressão um tanto arrogante:
— Eu parei de ficar chateada há muito tempo. Apenas perdi a coragem de lidar com você.
Orlando Rocha também se ajeitou na cama, transbordando confusão:
— Perdeu a coragem de lidar comigo? Como assim?
— Os esquemas do grande Advogado Rocha são profundos demais para mim. Jamais estaria à sua altura. — Com um tom ligeiramente sarcástico, Viviane Adrie disparou.
Ao escutar isso, Orlando Rocha ficou sem saber se ria ou se chorava.
— Você ainda está com raiva.
— Não estou com raiva. Só estou falando a verdade.
— Tudo bem, eu errei. Eu realmente não deveria ter escondido isso de você. Mesmo se ocultei no início, eu deveria ter confessado assim que nos casamos. Foi erro meu.
Para Orlando Rocha, o fato de ela aceitar debater o assunto abertamente era um sinal claro de que logo virariam aquela página.
Portanto, decidiu assumir a culpa de forma honesta e jogar as cartas na mesa.
— Aceito o seu pedido de desculpas. — Com uma pitada de orgulho ainda estampada no rosto, Viviane Adrie cedeu, e lançando-lhe um olhar inquisidor, perguntou: — Mas e então, o que mais você está escondendo de mim?
— ...
Fixando os olhos nele, Viviane Adrie pressionou:
— Como é possível que Daniel seja o seu filho biológico? Quando exatamente você doou sêmen?
Sendo obrigado a confrontar a questão novamente, o semblante de Orlando Rocha pesou. A irritação em seus traços era evidente.
— Toda essa confusão foi culpa de Zacarias Pacheco.
— O Doutor Pacheco tem algo a ver com isso? — Surpresa, Viviane Adrie indagou.
— Sim. Quando ele estava cursando medicina e fazendo residência no hospital, teve a ideia absurda de nos arrastar — a mim e a outros dois amigos — para doar sêmen. No início, caímos na lábia dele e acabamos assinando a papelada meio atordoados. Mais tarde, quando caí em mim, percebi que a ideia não era segura e ordenei que ele destruísse a minha amostra. Ele jurou que o tinha feito, mas guardou tudo em segredo. Ele achava que eu nunca descobriria.
— Afinal de contas... esse tipo de procedimento segue a rigorosa regra do anonimato duplo. Em teoria, o doador realmente passaria a vida toda sem saber do paradeiro do material. Mas o mundo dá tantas voltas que fui o sorteado em um milhão para presenciar o acaso operando o impensável bem na minha frente.
Ao chegar nesse ponto, Orlando Rocha direcionou um olhar à esposa. As memórias do primeiro encontro dos dois no hospital inundaram sua mente.
— Na época em que a minha mãe foi internada devido à profunda tristeza, o médico responsável mencionou a existência de um garotinho idêntico a Felipe. Logo imaginamos que Felipe tivesse namorado em segredo, sem o nosso conhecimento, e que a mulher em questão dera à luz esse menino.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quem é o pai de Daniel?