Poliana Veloso ficou surpresa: — Ele vem à noite também? Eu estava pensando que, depois de um longo dia de trabalho, vocês deveriam ir para casa mais cedo e ficar com o Daniel.
— Não tem problema, nós vamos para casa assim que jantarmos. O primo disse que vocês pegarão o voo de volta amanhã de manhã, então quero aproveitar o máximo de tempo com vocês.
Ouvindo as palavras da filha, Poliana Veloso manteve o olhar fixo nela, sentindo um aperto agridoce invadir seu peito.
— Viviane...
— Sim?
Viviane Adrie ergueu os olhos em direção à mãe, percebendo imediatamente o que ela estava prestes a dizer.
Após um momento de silêncio, o rosto de Poliana Veloso revelou ansiedade e nervosismo: — Sendo sincera, eu realmente não esperava que você fosse nos perdoar tão rápido, e muito menos que aceitasse se reconectar conosco em tão pouco tempo. Você... ainda guarda rancor da gente?
Viviane Adrie parou o movimento de seus hashis, sua expressão serena e ponderada.
Ela hesitou por alguns segundos, ergueu o olhar e forçou um sorriso: — Para falar a verdade, eu também não imaginava que fosse perdoar vocês e aceitá-los tão rápido. E quanto a guardar ou não ressentimentos, nem eu mesma sei dizer com certeza.
No fundo, ela tinha um coração mole, e deixou algumas verdades difíceis por dizer.
Na realidade, ela ainda os culpava, sim.
Mas, ao ver o estado em que seus pais haviam chegado, se aquilo fosse considerado algum tipo de carma, já era uma punição mais do que suficiente.
Odiar exigia energia, e ela não tinha disposição para desperdiçar o tempo limitado de sua vida alimentando ódio pelos outros.
— Eu só sinto que a minha vida está ótima agora. O amor e o cuidado que a Família Rocha me proporciona me fazem querer perdoar qualquer pessoa neste mundo que já tenha me machucado.
No entanto, existia o tipo de perdão onde os caminhos jamais se cruzariam novamente — como no caso da Família Adrie e da Família Mendes.
E existia o perdão que permitia curar as feridas e recomeçar — como no caso de seus pais biológicos.
Ela não carregava um ódio extremo e inflexível a ponto de continuar indiferente, mesmo depois que a outra parte havia demonstrado arrependimento genuíno e tentado se redimir.
Viviane Adrie assentiu. Depois de dizer tudo o que pensava, seu coração sentiu um alívio imenso e reconfortante.
— Vocês não precisam se preocupar comigo, apenas foquem em cuidar bem de si mesmos. Com a gravidez, não terei como visitá-los com tanta frequência durante o próximo ano, então não estarei por perto para ajudá-los.
— Não tem problema, desde que você cuide bem de si mesma e do Daniel, não precisa se preocupar com a gente. — Poliana Veloso se apressou em assegurar, morrendo de medo de se tornar um fardo para a filha.
— É verdade, Viviane. Não precisa se preocupar com os seus pais. Nós cuidamos deles durante todos esses anos e continuaremos cuidando, agora e no futuro. — Rebeca Veloso apoiou a irmã.
— Está bem. Muito obrigada, tia. Vocês tiveram tanto trabalho ao longo de todos esses anos. — Viviane Adrie expressou sua gratidão com um sorriso.
Eram apenas formalidades sociais da boca para fora, mas dizê-las não machucava. Convivendo com a Família Rocha por tanto tempo, ela havia aprendido muito bem a lidar com as situações de maneira polida e elegante.
Quando terminaram o almoço, já passava da uma hora da tarde.
Viviane Adrie começava a trabalhar às duas e meia e, portanto, precisava voltar.

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