As noites sem o filho por perto transformavam-se no paraíso íntimo e exclusivo para os dois.
Com Orlando Rocha envolvendo a esposa em seus braços, ambos se encostaram na cabeceira da cama para uma conversa descontraída.
— Você tem alguma preferência sobre ter menino ou menina? — perguntou Viviane Adrie, erguendo o olhar em direção ao rosto dele enquanto se aninhava no seu abraço, com um sorriso brincando nos lábios.
Orlando Rocha riu brevemente e inclinou a cabeça para roçar os lábios na testa dela: — Você acha mesmo que eu me importaria se é menino ou menina?
— É difícil saber. Afinal de contas, a sua Família Rocha tem um patrimônio colossal. Mesmo que da boca pra fora digam preferir uma menina, lá no fundo com certeza desejam o máximo de meninos possível, para que um dia administrem os negócios da família.
Viviane Adrie tinha plena consciência de que, apesar de todo o progresso social e da modernização de valores, o subconsciente da grande maioria das pessoas no país ainda carregava o peso da preferência por herdeiros do sexo masculino.
Imagine então em um clã tão prestigioso e abastado como a Família Rocha.
Era quase certo que somente após o nascimento de meninos suficientes é que começariam a rezar pela vinda de uma menina, em busca da tão sonhada família completa.
Após escutá-la, Orlando Rocha ergueu uma sobrancelha sutilmente e soltou um suspiro de desamparo encenado.
— Então, na sua visão, eu continuo a viver nos tempos das monarquias feudais.
— Você não se importa com essas coisas? — indagou Viviane Adrie com ar de espanto, franzindo o cenho esbelto ao observá-lo.
— Antes de te conhecer, eu sequer nutria qualquer ambição de me casar, muito menos de procriar. Você acredita mesmo que minha prioridade seria gerar herdeiros para glorificar meus antepassados? — proferiu o Advogado Rocha com extrema naturalidade.
Se o seu foco fosse esse, já teria se atado aos laços do matrimônio há muito tempo, com o único propósito de se multiplicar incessantemente.
— É verdade! — Viviane Adrie se recordou repentinamente. — Como eu fui me esquecer desse detalhe?
Orlando Rocha apertou levemente as bochechas macias e sedosas dela, cuja textura se assemelhava à maciez de uma certa área de seu corpo.
Ao divagar sobre tal pensamento, foi impossível evitar o ímpeto incontrolável de certas vontades selvagens.
No entanto, dado o estágio inicial da gestação, ele sabia que a conduta mais apropriada era manter-se dentro dos limites impostos.
Aninhada sob o seu braço, Viviane Adrie não tinha a menor suspeita das fantasias que povoavam a mente dele naquele instante. De súbito, a curiosidade tomou conta dela novamente: — E os seus pais? Por serem mais velhos, imagino que as pessoas da geração deles ainda mantenham parte dessa obsessão enraizada.
— Eu não me esqueci.
Tendo se deitado, Orlando Rocha logo retomou seu hábito inato de abraçá-la com vigor.
Não muito tempo atrás, a ideia de estar fortemente abraçada a ele para conseguir repousar soava incômoda para Viviane Adrie. Entretanto, a constante proximidade propiciada pelo recesso de Ano Novo permitiu que os dois absorvessem a mania de dormirem grudados. Naquele momento, apenas sentindo os braços o envolvendo-a é que ela conseguia encontrar sossego e segurança total.
Contudo, nesses últimos dias, ela viera a aprimorar uma nova variação para dormir.
— Jogava uma de suas pernas sobre o tronco dele, como se ele fosse um gigantesco travesseiro com silhueta humana, para assim aconchegar-se no sono.
A reação inicial de Orlando Rocha diante daquela invenção era rir, sem saber ao certo como lidar.
— Onde foi que você aprendeu a dormir toda esparramada desse jeito? Parece até um bicho-preguiça grudado no galho de uma árvore.
Viviane Adrie chegou a ficar meio encabulada: — Fica muito desconfortável para você? Se estiver doendo eu posso...
Assim que fez uma menção de puxar a perna de volta, Orlando Rocha a capturou prontamente, repousando-a por sobre seu próprio peito mais uma vez.

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