Ela o seguiu e continuou a tagarelar logo atrás dele.
— Que tal você tentar engordar até os cem quilos para ver? Eu garanto que não vou te desprezar. Todo mundo diz que o homem ganha peso depois que se casa. Se você estiver casado e não engordar nem um pouquinho, os outros vão pensar que a sua esposa não cuida bem de você e que o seu casamento é infeliz.
— De onde você tirou essas teorias absurdas? — disse Orlando Rocha, que ficava cada vez mais sem palavras ao ouvir aquilo.
— Não são teorias absurdas.
Os dois subiram juntos, e Orlando Rocha caminhou em direção ao banheiro do segundo andar, preparando-se para tomar banho.
Como Daniel já estava dormindo no quarto principal, ele receava que se lavasse lá acabaria acordando o filho.
Viviane Adrie o seguia batendo papo. Quando ele parou de repente, ela não conseguiu frear a tempo e colidiu de frente com as costas firmes dele.
— Ai. — Viviane Adrie esfregou o nariz.
— Eu vou tomar banho. Tem certeza de que quer entrar comigo? — perguntou o Advogado Rocha, virando-se com um sorriso irônico nos lábios.
— Não, não, não precisa. — Viviane Adrie rapidamente balançou a cabeça e, em seguida, ergueu os itens que segurava nas mãos. — Vou pendurar suas roupas. Vá logo tomar o seu banho. Eu te espero no quarto, quero conversar com você.
— Conversar sobre o quê? Pode dizer agora.
— Não há pressa, vá logo se banhar.
Com medo de que, se não saísse correndo dali, ele a puxasse a qualquer momento para tomarem um banho a dois, Viviane Adrie fugiu o mais rápido que pôde.
Cerca de meia hora depois, usando apenas uma toalha na cintura, o Advogado Rocha caminhou de volta para o quarto com uma postura confiante.
Viviane Adrie estava encostada na cabeceira da cama lendo um livro, com apenas a luz do seu lado do abajur acesa.
— O que você está fazendo? Não somos apenas nós dois em casa e você fica andando por aí desse jeito? — reclamou ela em voz baixa, com as bochechas coradas ao levantar os olhos e ver aquele corpo masculino, extremamente másculo e carregado de apelo sedutor vindo em sua direção.
— Quem mandou você não pegar o meu pijama? — Orlando Rocha manteve-se totalmente sereno e calmo.
Quando ele havia acabado de chegar, ela foi um poço de atenção e cuidado.
Mas quando ele realmente precisou dela, desapareceu num passe de mágica.
— O que é? Você parece tão séria.
— Sim, é algo realmente muito importante. E eu vou precisar da sua ajuda para lidar com isso.
— Do que se trata exatamente? — perguntou Orlando Rocha, mudando sua expressão para uma postura mais focada.
Viviane Adrie abriu a conta bancária no celular e virou a tela para mostrá-lo.
— Ter todo esse dinheiro parado na minha conta está me deixando desconfortável. Eu não sei como investir e tenho medo de acabar no prejuízo. Deixá-lo aplicado no banco não rende o suficiente e não me parece a melhor alternativa. Eu acho que esse valor... pode ter um propósito muito mais significativo.
Viviane Adrie falou com bastante seriedade, com seus olhos fixos no marido.
Orlando Rocha, por sua vez, sustentou o olhar com igual seriedade.
— Por acaso, você quer fazer doações para caridade? — perguntou Orlando Rocha, lendo as entrelinhas e intuindo o que ela queria dizer.
— Você realmente me entende tão bem! — exclamou Viviane Adrie, com um largo sorriso. Ela puxou o braço dele para colocá-lo atrás da própria nuca e, em seguida, acomodou-se confortavelmente em seu abraço.

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