Caminhando pelo tapete vermelho, cercado por repórteres.
E até mesmo estampando a capa de revistas de finanças, com uma postura de falsa retidão.
Originalmente, todo esse brilho deveria pertencer ao seu pai biológico, mas havia sido completamente usurpado por outros.
— Viviane? Viviane Adrie? — chamou Lorena várias vezes, vendo que ela encarava o celular paralisada, sem qualquer reação.
Viviane Adrie voltou a si.
— O que foi? Você também ficou irritada com essa notícia? — murmurou Lorena indignada, pegando o celular de volta. — Se até analfabetos conseguem dar a volta por cima, o que custava o mundo ter mais uma pessoa rica como eu?
Antes que Viviane Adrie pudesse responder, seu celular tocou.
Era uma ligação de Sabrina Barros.
Ela pegou o celular, levantou-se e afastou-se.
Podia imaginar o motivo da ligação da amiga; muito provavelmente, ela também havia visto aquela notícia.
Assim que saiu da área dos escritórios, Viviane Adrie atendeu a chamada: — Alô, Sabrina.
— Viviane, acabei de ver uma notícia sobre os crimes da quadrilha da Família Valentim na Cidade S. Por que tenho a sensação de que se trata exatamente do seu tio mais velho e do seu tio mais novo, aqueles monstros?
Sabrina Barros adorava uma fofoca. Nas horas vagas do trabalho, sua maneira favorita de aliviar o estresse era conversar sobre os últimos boatos.
Portanto, sempre que surgia alguma notícia em alta, ela era a primeira a se atualizar.
Viviane Adrie não queria que o assunto ganhasse grandes proporções e, menos ainda, que seus colegas soubessem que ela tinha uma ligação tão íntima com aquela notícia viral. Por isso, tentou baixar o tom de voz o máximo possível:
— Sim, são eles. O caso ainda está sob investigação e não deveria ter sido divulgado. Não sei como isso foi parar na internet.
— Ah, na era das redes sociais de hoje, o que escapa dos olhos atentos dos internautas? Provavelmente, os próprios executivos da empresa vazaram a informação. Afinal, os dois chefes foram presos ao mesmo tempo, quem não ficaria chocado?
— Talvez seja isso.
Mas pedir a ela — uma iniciante que passara três ou quatro anos como dona de casa e havia retornado ao mercado de trabalho há apenas alguns meses — que gerenciasse uma grande indústria avaliada em centenas de milhões, era algo para o qual ela sentia que não tinha capacidade.
Se realmente a obrigassem a assumir esse fardo, ela sofreria de insônia todas as noites por pura ansiedade.
Além disso, ela não tinha energia para lidar com essas questões no momento, pois ainda precisava acompanhar Daniel em seu tratamento médico.
Pensando nisso, Viviane Adrie soltou um suspiro involuntário.
— O Orlando Rocha me disse hoje cedo que a situação na empresa está um caos e que talvez precisem que a minha mãe volte para assumir o controle. Mas o estado de saúde dela não permite isso...
— Então... será que vão pedir para você voltar e herdar a empresa? — perguntou Sabrina Barros surpresa, compreendendo a situação.
— Eu não sei... — disse Viviane Adrie com toda a sinceridade. — Mas eu não quero.
— Eu também não quero! Se você for para a Cidade S, como é que vamos sair e nos divertir juntas depois?
Por mais avançado que fosse o transporte, assim que passassem a morar em cidades diferentes, encontrar-se seria um verdadeiro luxo.

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