Viviane Adrie franziu a testa, mas logo a relaxou, esboçando um sorriso.
— Não estou preocupada com nada, é muito bom que você vá visitá-los. Eu aqui... não consigo me afastar e também não posso ir com frequência.
— Fique tranquila, darei lembranças a eles por você.
— ... — Viviane Adrie mordeu o lábio, envergonhada, e logo disparou: — Bem, já está tarde, você trabalhou o dia inteiro, então vá logo dormir. Eu também tenho que trabalhar amanhã.
Orlando Rocha estava realmente com sono.
E mesmo que não estivesse, já era hora de Viviane Adrie descansar. Ela acordava de madrugada para cuidar da criança, às vezes mais de uma vez.
Portanto, por mais que lhe doesse desligar a chamada, ele assentiu: — Tudo bem, vá logo dormir.
— Então, tchau? — despediu-se ela para a tela do celular, com um sorriso doce e acenando com a mão.
— Boa noite — retribuiu Orlando Rocha, esperando que ela encerrasse a chamada primeiro.
Com a tela escurecida, Viviane Adrie permaneceu sentada à escrivaninha por alguns instantes. Ao pensar que os malfeitores finalmente receberiam o merecido castigo, sentiu uma satisfação indescritível invadir seu peito.
Quando voltou para a cama e se deitou, o sono a dominou rapidamente, e dessa vez, conseguiu dormir de forma profunda e tranquila.
————
No dia seguinte.
Orlando Rocha foi à delegacia e passou a manhã inteira em negociações, terminando o trabalho apenas perto do meio-dia.
Os crimes dos irmãos da Família Valentim eram como água numa esponja: sempre que se espremia, saía mais um pouco.
Após as rodadas de interrogatórios conduzidos pela polícia ao longo de toda a madrugada, mais de dez novos crimes haviam sido descobertos.
O que deixava a todos perplexos era o fato de que, em muitos casos, os dois sequer tinham noção de que estavam cometendo infrações legais.
Por isso, falavam abertamente e sem nenhuma precaução.
Em todos os seus anos como advogado, Orlando Rocha lidara com inúmeros crimes de colarinho branco e criminosos de alta capacidade intelectual que, mesmo cercados por investigadores, não davam um único deslize.
Era raríssimo deparar-se com uma dupla tão má e ao mesmo tempo tão estúpida, que confessava tudo na primeira pergunta — e entregava até o que a polícia não havia perguntado.
E o motivo era inacreditável: eles simplesmente não sabiam que aquilo configurava crime!
Ao saírem da delegacia rumo ao hospital, Severino Macedo foi conversando animadamente durante todo o trajeto.
— Quando a minha tia e o meu tio souberem disso, vão ficar tão felizes que a doença vai melhorar pela metade. Com tantos crimes acumulados, é garantido que passarão o resto dos dias apodrecendo na cadeia!
Orlando Rocha, por outro lado, não partilhava de tanto entusiasmo, e seu lado mordaz voltou a atacar:
A própria Viviane Adrie já havia lamentado que o seu destino fora tão amargo quanto o dos pais.
E sendo mais preciso, o destino de mãe e filha parecia uma repetição orquestrada pelo além.
— Sim, fui leviano ao julgar — admitiu Orlando Rocha, com evidente embaraço, fazendo uma pausa antes de continuar, com a voz carregada de afeto e compaixão: — Quando conheci a Viviane, a vida dela também atravessava um vale sombrio, mas ela se mostrou de uma força admirável. Pelo visto, tal mãe, tal filha.
Na época em que a conheceu, Viviane Adrie lidava com a traição do marido, o filho diagnosticado com leucemia e o Casal Adrie — que ela ainda julgava serem seus pais biológicos —, que a tratavam com total frieza e viviam exigindo dinheiro sob constantes ameaças de suicídio.
Até aquele momento, a imagem de Viviane Adrie chorando convulsivamente no terraço do hospital, sozinha e em completo desespero, permanecia gravada na memória dele.
Naquele dia, ele, que raramente fumava, afogava-se na tristeza pela perda do irmão e pelo definhamento da saúde da mãe. Dominado por uma angústia asfixiante, fora até o terraço para acender um cigarro.
Sua intenção era apenas fumar em silêncio, não querendo dividir aquele luto silencioso com ninguém.
Mas, antes que terminasse o cigarro, foi sobressaltado por um choro desesperado nas proximidades, como se o mundo estivesse desabando sobre alguém.
Relembrando a cena, ele sentia compaixão e, ao mesmo tempo, achava graça.
A compaixão devia-se, obviamente, ao fato de agora amar aquela mulher que chorava de forma tão descontrolada, sentindo as dores dela como se fossem as suas.
Mas a graça estava em pensar que uma mulher adulta chorando aos berros, como uma criança num acesso de birra, criava um contraste absurdo com seu rosto tão delicado e belo.

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