— Mas como você está? Você se machucou? Tem certeza de que foi o dublê que bateu o carro? Você não está mentindo para mim?
— É verdade. Se não acredita em mim, pergunte ao Severino Macedo. Ele arquitetou e previu toda a operação. Se não fosse por isso, eu sequer conseguiria ligar para você agora.
— Mas... e a pessoa que pegou o seu lugar? Como ele está? Corre risco de vida?
Por mais que não o conhecesse, aquele homem havia se acidentado assumindo o lugar de seu marido. Por mais alta que fosse a indenização financeira, continuar com aquelas artimanhas era um risco tremendo.
Ficar apreensiva por ele era apenas humano.
— O guarda-costas tem um treinamento impecável e tomou todas as precauções possíveis. Sofreu apenas alguns arranhões e a vida dele não corre perigo algum — Orlando Rocha tranquilizou-a.
— Que alívio.
Viviane Adrie sussurrou, ainda dividida entre o ceticismo e uma palpitação indomável no peito.
— É muito perigoso para você continuar aí. Volte o quanto antes e entregue o caso a outro advogado da sua equipe.
Ela não suportava a ideia de submeter a pessoa que mais amava a um cenário daqueles, mergulhada numa agonia constante.
Se ele sofresse algum ferimento grave, como ela daria explicações a os dois idosos da família Rocha?
A Família Rocha já havia perdido um filho, afinal.
— Orlando Rocha, ouça o que eu digo, volte para casa agora mesmo. Peça que outro assuma a situação. Mesmo que não faça isso por mim, pense em seus pais! Eles já perderam seu irmão mais novo; não podem passar por mais um luto!
O tom de Viviane Adrie soou como um apelo desesperado.
Se não fosse tão tarde e não houvessem mais voos operando, ela mesma teria atravessado os céus naquele dia só para buscá-lo à força.
Diante do desespero iminente dela, Orlando Rocha soltou um suspiro interno, sentindo-se encurralado.
— Fique calma, o Severino Macedo reforçou o esquema de segurança com vários guarda-costas. Além do mais... depois do atentado de hoje, Hadrian e Pietro Valentim serão detidos em um piscar de olhos.
O arrependimento inundou Orlando Rocha. Se soubesse o quanto ela ficaria angustiada, teria inventado qualquer mentira para despistá-la.
— Não, não podemos arriscar. Para escaparem da cadeia, eles não vão hesitar em usar todo e qualquer tipo de golpe sujo.
— Cheguei em casa, vou ter que descer. Por enquanto não vou mencionar nada aos seus pais, mas tome muito cuidado. Prometa me avisar sobre tudo o que acontecer. Sem segredos, ouviu?
Afastando os olhos da janela, Viviane Adrie fez o ultimato com um tom solene.
— Entendido, seguirei suas ordens — Orlando Rocha relaxou visivelmente.
Assim que a ligação terminou, Viviane Adrie soltou uma respiração lenta e calculada para recompor sua máscara de calmaria antes de ordenar ao motorista: — Motorista, sobre a nossa ligação, não mencione nada aos senhores para não alarmá-los à toa.
— Pode ficar tranquila, senhora. Entendo perfeitamente o motivo — O motorista Henrique encontrou os olhos da patroa pelo retrovisor e assentiu com um sorriso sutil.
— Ótimo.
Viviane Adrie recolheu sua bolsa e abriu a porta para desembarcar.
— Daniel.
— Mamãe! Você finalmente voltou do trabalho! Fiquei de cabelos brancos de tanto esperar! — Ao ver a mãe, a alegria transbordou do rosto de Daniel, que falava com aquele seu jeitinho característico de adulto em miniatura.

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