— Foram. — Viviane Adrie encolheu os ombros, dando um sorriso meio sem graça. — Eu nem imaginava que tinham comprado tudo isso. Minha mãe simplesmente mandou entregar a mala lá no hotel.
A Velha Senhor Rocha comentou, consternada com os gastos:
— Essas coisas são um absurdo de caras. Para que gastar tanto dinheiro assim?
Viviane Adrie se apressou em explicar:
— O pessoal da Cidade G e da Cidade S adora esses produtos luxuosos para fortalecer a saúde e dar mais energia. É uma ótima oportunidade para a senhora e o papai se cuidarem mais.
Na verdade, a Família Rocha tinha acesso de sobra àquele tipo de luxo.
Mas, já que era um gesto de carinho dos consogros, a Velha Senhor Rocha aceitou com gratidão.
— Está bem, agradeça aos seus pais por nós. Mas nós não conseguiremos consumir tudo isso sozinhos. Quando a cozinha preparar refeições com esses ingredientes especiais, mandarei o mordomo levar um pouco para você e para o Orlando. Vocês dois é que precisam recuperar as energias.
— Certo, como a senhora preferir. — Viviane Adrie sorriu com docilidade, querendo agradar a sogra.
Sabrina Barros enviou a localização do local para o chá da tarde. Após arrumar tudo, notando que Daniel ainda estava cheio de energia, Viviane Adrie e o filho saíram novamente.
A Velha Senhor Rocha providenciou um motorista para levá-los, permitindo que Viviane Adrie fosse no banco de trás, fazendo companhia a Daniel.
Ao chegarem à cafeteria, Sabrina Barros acenou animada de longe.
Viviane Adrie levou o filho pela mão até ela.
— Feliz Ano Novo, Daniel! Venha logo dar os parabéns para a madrinha, que a madrinha tem um presentinho de dinheiro para você! — Sabrina Barros balançou um pequeno envelope chamativo, brincando com a criança.
Daniel, cheio de lábia, respondeu:
— Feliz Ano Novo, madrinha! Desejo que você tenha dezoito anos para sempre e seja linda como uma flor.
Viviane Adrie olhou para o filho, estupefata.
Sabrina Barros ficou com os olhos arregalados de espanto e virou-se para a amiga:
— Foi você ou o Advogado Rocha que ensinou isso a ele?
— Claro que não.
Daniel se intrometeu:
— Eu ouvi as outras pessoas falando e aprendi.
— Uau, meu afilhado é brilhante! — Sabrina Barros não parava de elogiá-lo enquanto lhe entregava o envelope.
— Aposto que este ano você nem vai dar bola para o dinheirinho da madrinha. Com os avós paternos e maternos todos presentes, sua mesada de Ano Novo já deve ter passado das centenas de milhares, não é?
Sabrina Barros brincou, sem nenhum pingo de ressentimento, apenas com uma inveja boa.
Como criança, Daniel não entendeu a dimensão daquelas palavras. Apenas ficou feliz por receber um presente.
Viviane Adrie acomodou-se na cadeira e olhou para a amiga:
— Não diga isso, qualquer quantia é um gesto de carinho. Você não é casada e nem tem filhos, eu fico é sem jeito de só receber os presentes e não ter como retribuir.
Sabrina Barros ergueu a mão, gesticulando para que parasse com aquilo.
— Ah, para com isso, entre nós não tem dessa de fazer contas. E eu não vou sair correndo para casar e ter um filho só para poder ganhar presentes também, não acha?
— É verdade, os dois estão com a saúde bem debilitada. Mas eu precisava trazer o Daniel de volta para o tratamento, então não teria como ficar lá direto. E o Orlando Rocha jamais concordaria em me deixar sozinha lá. Os parentes mais velhos por parte de pai são cruéis, não têm o menor escrúpulo. Estão loucos para se livrarem de mim e tomarem conta da fortuna dos meus pais.
Sabrina Barros ouviu aquilo com uma expressão incrédula no rosto.
— Se não fosse você me contando, eu acharia impossível algo assim acontecer nos dias de hoje. Contratar capangas para forjar acidentes de trânsito, tentar matar os outros a sangue frio... Que loucura!
— É mesmo... — Viviane Adrie respondeu com o olhar distante, deixando escapar um suspiro. — Eu mesma só acreditei porque vivi na pele. Tudo isso é culpa do dinheiro. Quando a ganância fala mais alto, a natureza humana não vale absolutamente nada.
As duas ficaram em um breve silêncio, cada qual mergulhada em seus próprios pensamentos.
De repente, uma voz soou bem ao lado.
— Viviane Adrie?
Sobressaltada, Viviane Adrie ergueu os olhos e, no mesmo instante, reconheceu um rosto familiar: Mariana Mendes.
Fazia um bom tempo que não se viam.
Num primeiro momento, quase não a reconheceu.
Mariana Mendes estava de braços dados com mais um homem, mas não era aquele idoso gorducho e de cabeça chata da última vez.
Este de agora também era mais velho, porém aparentava estar bem conservado, com um porte físico razoável.
Assim que Mariana Mendes exclamou o nome de Viviane Adrie e esta levantou a cabeça para olhá-la, a expressão de Mariana mudou drasticamente, e ela tratou logo de soltar o braço do homem que a acompanhava.
Viviane Adrie percebeu a atitude suspeita e sua primeira dedução foi que aquele relacionamento não devia ser nada lícito.

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