Orlando Rocha dirigia em silêncio. Ao ouvir aquilo, olhou pelo retrovisor, o olhar carregado de compaixão.
Após ouvir o passado relatado por Poliana Veloso naquela noite, ele também ficou chocado e achou tudo inacreditável.
Ele já havia presenciado muitas tragédias.
Mas era extremamente raro ver três gerações de uma mesma família sofrerem infortúnios tão severos.
Poliana Veloso e o Casal Valentim foram manipulados pelos pais, tiveram o filho assassinado pelos próprios irmãos, que ainda usurparam uma herança milionária.
Viviane Adrie, por sua vez, foi abandonada pelos avós e, embora tenha tido a sorte de ser acolhida por pais adotivos, eles não passavam de pessoas desprezíveis.
E ainda havia Daniel...
Com apenas três aninhos de idade, já sofria de uma leucemia grave.
Se não o tivesse conhecido, Viviane Adrie provavelmente não teria como pagar as despesas médicas.
Muito menos proporcionar ao filho condições de tratamento tão excelentes, permitindo que a doença do menino se estabilizasse temporariamente.
Como um observador externo, ao contemplar o destino daquelas três gerações, não pôde deixar de suspirar: os céus eram injustos!
— O destino foi bem cruel com vocês. Mas, por sorte, as coisas começaram a entrar nos eixos, ainda dá pra consertar muita coisa.
Orlando Rocha consolou a esposa com uma voz suave, não querendo que ela se afundasse naquela melancolia pessimista, sentindo pena de si mesma.
Viviane Adrie suspirou, com um tom de voz um pouco mais animado: — É verdade. Os céus não nos destruíram por completo. Tive a sorte de encontrar você, e meus pais biológicos ainda puderam me reencontrar e me reconhecer em vida.
— Agora você não sente mais tanta barreira em relação a eles, não é? — perguntou Orlando Rocha com um sorriso leve.
Viviane Adrie ficou em silêncio por um momento, as memórias de seus pais ecoando em sua mente.
A barreira não havia desaparecido completamente, mas era verdade que agora sentia um pouco mais de compaixão, pena e até mesmo um aperto no coração por eles.
Quando tentava se colocar no lugar deles, pensava que talvez não tivesse a mesma sorte nem a coragem da mãe biológica.
Depois de ver a própria família destruída, talvez ela não tivesse conseguido se reerguer daquele jeito.
Após o jantar, Malone Valentim foi levado de volta ao hospital primeiro, enquanto Poliana Veloso, relutante em partir, puxou a filha para conversarem mais um pouco.
Nas conversas que se seguiram, Viviane Adrie descobriu que Poliana Veloso havia perdido o controle da matriz após ser oprimida e marginalizada por Hadrian Valentim e seus comparsas.
Ela simplesmente recuou para avançar, oferecendo-se voluntariamente para trabalhar em uma das filiais.
Naquela época, as duas filiais haviam sido recém-fundadas, ainda não geravam lucros e operavam no vermelho.
Hadrian Valentim, que não queria nada além de vê-la sofrer e trabalhar arduamente, concordou prontamente.
Para a surpresa de todos, Poliana Veloso teve a capacidade de reerguer os negócios das filiais em cinco anos, além de roubar vários clientes e recursos da matriz.
Tendo aprendido com os erros do passado, Poliana Veloso não diluiu suas ações mesmo após o crescimento da filial, mantendo o controle absoluto sobre a gestão.
Viviane Adrie soltou um suspiro de alívio e com o semblante mais relaxado disse: — Eu acredito em você. Quem faz coisa errada uma hora paga. Eles vão responder por tudo que fizeram e apodrecer na cadeia.
————
Na manhã seguinte.
Severino Macedo, acompanhado de Rebeca Veloso, chegou bem cedo ao hotel.
O voo de Orlando Rocha e sua família estava marcado para as onze da manhã.
Eles acordariam, tomariam o café da manhã no hotel e logo partiriam para o aeroporto.
Rebeca Veloso exibia um sorriso caloroso enquanto empurrava uma mala para frente: — Advogado Rocha, Viviane, esta é uma pequena lembrança que preparamos para os pais de vocês. Daqui a pouco, o Severino vai levá-los ao aeroporto e ajudará a despachar tudo. Quando pousarem, é só pegar a bagagem.
Ao ver o tamanho da mala, Viviane Adrie recusou prontamente: — Senhora, não precisa. É uma viagem tão longa e já estamos com a criança, seria realmente...
— Eu entendo, mas a bagagem será despachada, não vai atrapalhar em nada. Ao chegarem na Cidade J, com certeza terão um motorista esperando por vocês.
Rebeca Veloso exibia um sorriso caloroso e afetuoso, insistindo para que Severino Macedo colocasse a mala no carro.
— Seus pais pediram especialmente por isso. Devido aos problemas de saúde, eles não podem ir à Cidade J para conhecer seus sogros, então é justo que mandem alguns presentes de fim de ano.
Viviane olhou para Orlando. Como ele não disse nada, entendendo que concordava, ela apenas assentiu em sinal de agradecimento.

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