Depois que Viviane Adrie chamou pai e mãe, sua garganta pareceu ter sido bloqueada por uma pedra gigante, impedindo-a de dizer qualquer outra coisa. Sem hesitar, ela ergueu a taça e virou tudo de uma vez.
Aquela taça de vinho era um brinde em respeito aos pais.
Ela havia aceitado a identidade de seus pais biológicos e estava disposta a reconhecê-los!
Todos ali entenderam.
Ficaram todos paralisados; foi tão inesperado que, por um momento, ninguém soube como reagir.
Orlando Rocha olhou para a esposa, sabendo que as emoções dela estavam à flor da pele. Ele se levantou, colocou a mão no ombro dela e o apertou levemente.
Um consolo silencioso.
— Viviane, você... você finalmente aceitou reconhecê-los. Finalmente... os chamou de pai e mãe. — Rebeca Veloso, que ficara atônita por alguns segundos, de repente voltou a si.
Antes mesmo de terminar a frase, Rebeca Veloso também começou a chorar.
— Mãe, não chore assim. Hoje é um dia de alegria e reencontro. — A esposa do primo levantou-se imediatamente, pegou um lenço de papel e o entregou a Rebeca Veloso.
— É de alegria! Eu estou chorando de felicidade pela sua tia! — Rebeca Veloso assentiu repetidas vezes, dizendo entre soluços.
Segurando os pauzinhos, Poliana Veloso ergueu o olhar, atônita, na direção de Viviane Adrie. Seus lábios tremiam, e os olhos também se encheram de lágrimas.
Malone Valentim, por sua vez, já estava com o rosto envelhecido banhado em lágrimas.
Embora não pudesse se mover, a tempestade de emoções que agitava seu coração era mais intensa do que a de qualquer outra pessoa.
A perda da filha era o que lhe causava a maior culpa e o sofrimento mais profundo.
Afinal, a tragédia havia sido provocada por seus próprios pais.
Naquela época, foi a sua submissão cega e a sua covardia que fizeram com que sua esposa sofresse tantas injustiças ao seu lado.
E foi também a ganância e a desumanidade de seus próprios irmãos que os levaram a perder o filho.
A pessoa a quem ele mais devia nesta vida era sua esposa.
Agora, conseguir encontrar a filha e ser reconhecido por ela aliviava, pelo menos um pouco, a culpa e a dor em seu coração.
Orlando Rocha apertou o ombro dela, o rosto tenso, os olhos cheios de preocupação e pena.
Embora o reencontro entre mãe e filha e a união familiar fossem coisas boas, as intensas oscilações emocionais ainda eram difíceis de suportar.
Além disso, ele sabia que Viviane Adrie havia se forçado a dar aquele passo, com medo de deixar arrependimentos e sentir remorso pelo resto da vida.
Com a súbita aproximação de Poliana Veloso, era certo que sua esposa ainda não estava preparada.
— Tia, dê um pouco de tempo para a Viviane. Por que não jantamos primeiro? Depois da refeição, vocês podem conversar com calma.
Observando a reação da esposa, Orlando Rocha apressou-se em dizer isso a Rebeca Veloso antes que a cadeira de rodas chegasse muito perto.
Rebeca Veloso hesitou e parou de empurrar.
Por coincidência, elas haviam parado bem atrás de Severino Macedo.
Severino Macedo olhou para Viviane Adrie e compreendeu a intenção de Orlando Rocha na mesma hora, levantando-se logo em seguida para interceptar a mãe e a tia.
— Mãe, vamos comer primeiro. Depois do jantar vai sobrar tempo para conversar com calma, senão esse clima todo vai acabar tirando a fome de todo mundo.

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