Ao ver a reação intensa dela, com aquela expressão de imensa gratidão, Viviane Adrie ficou sem saber o que dizer.
— O jantar está pronto, já podemos comer — avisou Severino Macedo lá da sala de jantar, salvando a situação.
— Vamos, vamos jantar — disse Poliana Veloso, olhando na direção dele e, em seguida, voltando-se para a filha e o neto.
Como não conseguia se mexer, Malone Valentim precisava que o servissem.
Aquela era uma oportunidade única na vida de ter a família reunida num jantar, então, por mais paralisado que estivesse, ele tinha que ir à mesa para compartilhar da alegria.
Assim, o pai de Severino Macedo foi até ele para empurrar a cadeira de rodas e o levou até a sala de jantar.
— Me diga o que vai querer comer, que hoje à noite eu mesmo sirvo você — garantiu o Senhor Macedo.
Viviane Adrie observou a cena, mais uma vez chocada.
Não era de se admirar que Severino Macedo fosse tão bom para com sua mãe biológica e seu pai; afinal, não era apenas Rebeca Veloso que era gentil, mas até mesmo o Senhor Macedo os apoiava daquela maneira.
A virtude daquela família realmente se igualava à da Família Rocha.
Todos eram pessoas extremamente amáveis, honradas e justas.
Ela teve a sorte de conhecer a Família Rocha e de desfrutar do que havia de mais raro, verdadeiro, bom e belo neste mundo.
E seus pais biológicos puderam encontrar a Família Macedo, sentindo um calor humano raro em meio a uma vida arruinada e cheia de cicatrizes.
Se fosse para falar de infortúnio, a vida de sua família de sangue era verdadeiramente uma tragédia desoladora.
No entanto, falando de sorte, eles também cruzaram com as pessoas mais maravilhosas e bondosas possíveis.
Com o coração envolto em emoções complexas, Viviane Adrie olhou para Orlando Rocha instintivamente.
— O que foi? O que você está pensando? — sussurrou Orlando Rocha, aproximando-se e segurando a mão dela.
Por ter vivenciado isso, sabia perfeitamente o quão exaustivo era para uma mulher preparar tudo aquilo, o que a tornava naturalmente mais empática.
— Não deu trabalho nenhum, não foi muito cansativo — respondeu a prima de forma muito alegre e descontraída. — Como eu não conhecia o paladar de vocês, fiquei com medo de que não gostassem da comida da Cidade S, então pedi para o seu primo contratar um chef especializado na culinária da Cidade J.
— Esses aqui, por exemplo, foram feitos pelo chef. Já esses outros fui eu que preparei. Meus dotes culinários são simples, então, por favor, me desculpe qualquer coisa — explicou a prima, apontando para alguns pratos.
— Viviane, a comida da sua cunhada é maravilhosa, não caia nessa falsa modéstia dela. Mas eu também me arrisquei na cozinha com estes dois pratos aqui. Eles não chegam nem perto do talento dela, então releve, por favor — disse Severino Macedo, saindo da cozinha com uma sopeira nas mãos, aproveitando a deixa da esposa.
Ao ouvir o casal brincando em perfeita sintonia, qualquer um perceberia o quanto se amavam, o que encheu Viviane Adrie de uma doce inveja.
Orlando Rocha, que nunca imaginou que Severino Macedo soubesse cozinhar, sentiu uma leve pontada de ciúme ao notar o olhar de admiração que Viviane Adrie lançava ao casal.
Sendo assim...
Será que ele não teria que se forçar a aprender a cozinhar também?

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