No dia seguinte Ivy não voltou para casa, seguiu o conselho de seu pai, continuou ali.
Pediu para Pedro que não entrasse em contato com o genro, não queria que ele viesse buscá-la e brigar novamente.
Dante esperou por Ivy a manhã toda, sem sucesso decidiu ir para a empresa, sentia que se trabalhasse um pouco ficaria mais tranquilo.
Ele estava enganado.
Pediu para que Carlos o levasse para a LaBelle, não conseguia se concentrar em nada e dirigir seria perigoso.
Lembrava as palavras de Ellie, mas mesmo que fosse apenas uma birra de Ivy, nunca ficou tantas horas sumida, principalmente sem dinheiro e celular.
Quando chegou em sua sala, Aurora e Ellie estavam juntas preparando os documentos do dia para Dante quando perceberam a entrada dele.
- Bom dia senhor Salvatore, chegou tarde hoje, precisa de alguma coisa? - perguntou Aurora preocupada ao ver a hora e a cara de seu chefe
- Só um café forte, por favor.
- Ok, já trarei.
Aurora saiu apressada para pegar o café de Dante, Ellie se manteve em pé, seria, olhando para ele de frente.
- Que cara é essa? Parece que foi atropelado por um caminhão.
- Só não dormi.
- Quer um carinho? Te faço dormir rapidinho - disse ela dando a volta na mesa e parando atrás dele, passando a mão no peito de Dante.
- Não, só preciso trabalhar.
Percebendo que Dante não estava de bom humor, Ellie se endireitou e cruzou os braços no peito.
- O que foi Dante? Está assim por causa da idiota da Ivy?
- Ela não voltou ainda
- E daí? Melhor para nós.
- Ellie, eu não sei onde ela está, ela não está com dinheiro, nem documentos e nem celular. Se aconteceu alguma coisa com ela?
- Se aconteceu vamos saber, notícia ruim chega rápido.
- Como você pode falar assim?
- E porque eu não falaria? Ela nos atrapalha Dante. Acorda!
- Acordar? Eu quero me divorciar da Ivy, não quero ela morta.
Ellie, já sem paciência, porque estava vendo um sentimento de Dante para a sua prima, saiu de trás dele e batendo os saltos no chão começou a alterar a voz e perder a postura com Dante.
- Não seja frouxo! Ela sempre aprontou para chamar a sua atenção e você sempre fica do lado dela.
- Não fale assim comigo! - disse ele gritando pondo o dedo em riste.
- Falo sim, você diz que me ama mas está aí se doendo pela mimadinha de merda!
- Cala a boca Ellie, se eu não te amasse não faria todas as suas vontades, você não estaria aqui trabalhando comigo recebendo um generoso salário, viajando para diversos lugares e muito menos estaria morando em um apartamento luxuoso. Como o que eu te dei!
- Está jogando na minha cara o que faz por mim?
- Não, estou sendo realista. Há um ano atrás você não tinha nada disso e morava de favor com o meu sogro, agora tem tudo, Ivy por enquanto é minha esposa e sim me preocupo que algo possa ter acontecido.
- Você gosta dela, não minta para mim.
- Não seja idiota Ellie, se eu gostasse dela você não estaria aqui e eu estaria ainda na Grécia com ela.
- Se esse é o problema, então volte para lá com ela, eu me demito!
Ellie se virou em direção a porta, e antes de sair, olhou mais uma vez para Dante e fingindo um sofrimento pelas palavras ditas, fez a sua última cena.
- Você me decepcionou gatinho, eu te amo tanto, mas não me parece que é recíproco
- Volta aqui Ellie ainda não terminei.
- Me demito Dante, adeus.
Saiu batendo a porta atrás de si, deixando Dante sozinho em sua sala.
Sentia que a conversa não tinha sido benéfica para ela, mas deixaria ele pensar que ela iria embora por enquanto.
Mas não pediria demissão formalmente, só daria um susto em Dante. Em breve, retornaria triunfante à empresa e aos braços de seu amante.
Do outro lado da porta, Dante estava de pé em frente a grande janela.
Lembrou da discussão com Ellie, então respondeu o que a mãe queria.
Sim mamãe, Ellie já foi demitida, como me pediu.
Que bom meu filho, só quero o melhor para vocês dois.
Eu sei e por isso estou te ligando.
Ele não queria dizer à mãe sobre o desaparecimento de Ivy, então fez uma pergunta breve com uma desculpa qualquer.
- Mamãe por acaso a Ivy está aí?
- Por que ela estaria aqui logo cedo?
- Ela saiu antes de eu acordar hoje, saiu sem o celular, só queria saber se estava aí.
- Ela deve ter ido ao shopping ou ao SPA.
- Sim, deve ser, obrigado mãe. Beijos, vou trabalhar agora.
- Beijos meu filho, se cuida e cuide de minha nora.
- Claro, cuidarei.
Cuidar de Ivy, algo que naquele momento estava totalmente fora de ordem, já que ele nem sabia onde ela estava.
Após a breve conversa com sua mãe, Dante resolveu retirar a ordem de proibição da entrada de Ivy na empresa, na esperança que ela pudesse vir procurá-lo a qualquer momento.
Do outro lado da cidade, no apartamento de Pedro, pai e filha passam horas conversando, assistindo filme, cozinhando, comendo, tudo com muito carinho, como Ivy sempre esteve acostumada.
- Pai, foi ótimo estar aqui novamente, com o senhor e com todo esse ambiente caloroso que sempre me acolheu mesmo depois da morte da mamãe.
- Eu que amei esses dois dias com a minha filhinha amada.
- Eu preciso voltar, não estou nem com meus documentos aqui.
- Eu sei, não sei nem como chegou aqui sem nada, eu te levo para sua casa.
E no início da noite, Ivy voltou para a mansão.

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