A campainha tocou, Pedro estranhou a hora. Não estava esperando ninguém.
Quando abriu a porta, viu a sua filhinha parada, estava pálida, gelada, tremia e com as pupilas dilatadas.
Pedro conhecia bem essas características. Todas as vezes que Ivy teve crises nervosas após a morte de sua mãe, ela ficava assim.
Rapidamente ele puxou a filha para dentro. Abraçou ela fortemente, dizendo palavras de conforto em seu ouvido.
Ele não imaginava o que havia acontecido com Ivy para ela estar ali naquele estado de nervos.
Encaminhou a filha até o seu antigo quarto, um lugar onde Ivy sempre se sentiu confortável e confiante.
Deitou ela na cama, tirou seus tênis e a cobriu com o cobertor.
Correu até a cozinha, fez um chá forte e quente e pegou um dos comprimidos calmantes que há muito tempo Ivy não tomava mais.
Aquecida e medicada, Ivy voltou a si aos poucos, sentindo o abraço quente de seu pai e o cafuné delicado em sua cabeça.
- Desculpa pai, não queria te assustar.
- Minha filha, o que aconteceu? Você estava em crise, há muito tempo isso não acontecia.
- Eu sei pai, mas não consegui controlar.
Ivy abraçou mais forte seu pai, estava buscando o conforto que não sentia desde o dia do seu casamento.
Estava envergonhada, de cabeça baixa, Ivy começou a explicar a Pedro tudo o que aconteceu e as coisas que ela havia descoberto.
Sua voz era baixa e ainda estava trêmula, a temperatura de Ivy ainda estava baixa, mas mesmo relutante ela contou tudo a seu pai.
- Pai, desde o dia do casamento eu não consigo conversar com Dante sem ele brigar comigo.
- Por que filha?
- Não sei também, ele está diferente, sempre sem paciência, não gosta quando eu o toco e até me proibiu de entrar na LaBelle.
- Quando vocês voltaram da viagem?
- Já faz três dias.
Pedro afastou a filha e olhou em seus olhos, estava incrédulo do que a filha estava dizendo para ele, mas mesmo assim continuou a conversa.
- E ele já voltou a trabalhar?
- Sim pai, disse que tinha muito trabalho acumulado, dormiu fora de casa e desligou o telefone. Não sei, mas me parece que ele não quer estar casado comigo.
- Filha, não pense besteiras, ele quis casar com você. Foi ele que me pediu para namorar com você.
- Pai, ele se manteve distante durante a viagem, por isso quis voltar.
- Você que decidiu voltar?
- Sim, já não tinha graça para mim, pai nós ainda não transamos.
As lágrimas que Ivy controlou durante o dia, agora saiam sem permissão.
Junto às lágrimas, vieram os soluços, mas ela se manteve firme e abriu o coração para o pai.
- Filha, isso não é coisa que se planeja e marca horário, é instinto, vontade.
- Então isso não existe entre nós.
- Você é linda, não tem como ele não querer você.
- Pai ele mentiu para mim várias vezes.
- Mentiu? Sobre o que?
- Você sabia que a Ellie está trabalhando com ele há um ano?
- Não, desde que ela saiu daqui eu não falei mais com ela.
- E também ele já foi para a Grécia antes, duas vezes, com a Ellie.
Quando ouviu a voz de Ellie, Dante desmoronou em cima da cama. Passando a mão esquerda no cabelo de forma desesperada.
- Oi gatinha, não achei que fosse você, desculpa.
- Quem achou que seria? Tá me traindo Dante?
- Não, não é isso.
- Então o que é?
- A Ivy sumiu, já procurei ela por toda parte, já rodei a cidade inteira, ninguém viu ela sair, não sei onde ela está.
- Quando ela saiu?
- Quando eu estava tomando banho. Faz algumas horas.
- Você brigou com ela?
- Quando cheguei.
- Logo ela aparecerá, não se preocupe, ela é só uma garota mimada, não é louca.
- Espero que sim
- Ela sempre volta, arrependida te pedindo desculpas. Vou dormir gatinho, até amanhã, te amo.
- Também te amo.
Ellie desligou o telefone, não queria saber de Ivy, até desejava que a prima estivesse morta.
Dante do outro lado, estava preocupado, não conseguiu dormir, ficava olhando o celular na esperança de alguma notícia de Ivy.
Para Ivy que estava em casa com o pai, foi uma noite calma, reconfortante e seu sono foi tranquilo depois de tantos dias sem dormir direito.
Já para Dante que estava em alerta como uma coruja na janela, a noite foi dolorosa e longa.

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