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QUANDO TE PERDI romance Capítulo 10

Quando Dante acordou, ainda estavam abraçados como na noite anterior. Ele não queria que ela acordasse e visse aquela cena.

Apesar de estar confortável com ela o abraçando, não queria dar a ela a esperança de que ele tivesse sentimentos por ela. Mas, antes que ele conseguisse afastar o abraço dela, Ivy acordou.

- Bom dia - disse ela se espreguiçando vagarosamente - dormiu bem?

- Não, não consegui dormir, você me agarrou durante a noite toda, além do mais, você também estava gemendo.- disse sério olhando nos olhos dela com a intenção de envergonhá-la.

- Eu? Gemendo? - Ficou vermelha por lembrar que sonhou com Dante a noite toda - Eu disse alguma coisa?

- Não. Por que? Estava sonhando comigo?

- Não!

- Não? Então, por que está vermelha? Teve um sonho erótico?

- Claro que não? Não seja bobo - saiu da cama com muita rapidez e foi para o banheiro.

- Está fugindo por que?

Tarde demais, ela já estava dentro do banheiro com a porta fechada.

Ela se apoiou de costas na porta, sua respiração estava ofegante e seu coração acelerado. Não tinha visto o seu rosto ainda, mas sabia que estava vermelha, pois sentia a pele do seu rosto queimar.

Ivy estava com vergonha e agora Dante sabia de seu segredo. Ela precisava fazer ele esquecer esse assunto, olhou no espelho e viu como seu rosto estava realmente vermelho.

Abriu a torneira, e jogava água em seu rosto com o intuito de resfriar a pele que queimava de vergonha, Dante não conhecia este lado de Ivy, a garota inexperiente e envergonhada.

Saiu do banheiro já recomposta, Dante estava em pé olhando a janela quando olhou para ela, ele queria confirmar se ela realmente tinha sonhado com ele, queria provocar Ivy.

- Correu tão rápido, que eu nem consegui terminar.

- Terminar o que? - Ela travou no meio do caminho, olhando para ele.

- Estava sonhando comigo? Você estava gemendo baixinho e cada vez me apertava mais - Ele fixou os olhos em Ivy, queria ver a reação dela, seu rosto era um misto de deboche com irritação.

- Eu já disse, não estava sonhando com você, foi só um engano, não te abracei porque quis, estava dormindo, não sabia o que estava fazendo.

Não parecia engano.

- Não crie histórias na sua cabeça.

- Eu que digo para você não criar histórias. Não se iluda Ivy, não sou o príncipe encantado no cavalo branco.

- Por que está dizendo isso? - Se aproximou dele e olhava em seus olhos.

- Não quero que pense em contos românticos, não sou um homem romântico, não serei delicado com você.

- Por que isso? Você não era assim.

- Sempre fui.

- Não, não era. Eu te conheço desde criança, você era mais delicado e educado. Nós estávamos quase sempre juntos, você mudou. Não sei quando isso aconteceu, mas você mudou.

Ela não sabia dizer, mas ele sim. A mudança de Dante aconteceu quando ele conheceu e se encantou por Ellie. Até então, ele aceitava a decisão de seus pais pelo casamento com Ivy, mas depois de Ellie, ele não aceitava não poder ficar com a mulher que amava.

A figura de Ivy, que era sua companheira até então, se transformou em uma pedra no meio do caminho que separava ele de Ellie.

Ele se afastou, começou a sentir a irritação subir em suas veias, ele odiava ser questionado por Ivy, não gostava de dar satisfação a ela.

- Por que você mudou Dante?

- Não mudei, só descobri o que quero e o que não.

- Então você não quer o nosso casamento? Por isso que me trata assim?

- Não começa a se fazer de vítima Ivy, você nunca foi vítima.

Ele assentiu com a cabeça, fez o que ela queria, arrumou as coisas, fez checkout do hotel e voltaram para casa.

Depois da discussão acalorada da manhã, nenhuma outra palavra foi dita.

Ivy estava quieta e calada, evitava os olhos de Dante, no jatinho sentou afastado dele, do outro lado, no caminho para a mansão ela apenas olhava pela janela do carro, e aquele silêncio incomodava Dante que já estava acostumado com a garota falando e o irritando a todo tempo.

Quando chegaram à mansão, Ivy saiu do carro e sem olhar para trás, subiu as escadas e entrou no quarto.

Tirou os sapatos, a roupa, a maquiagem, soltou seus longos cachos e colocou uma camisola comprida.

Fechou as janelas e cortinas, deitou na cama, abraçou o travesseiro e chorou.

Com o travesseiro abafando seus soluços ela chorou copiosamente.

Permitiu que tudo o que ela estava guardando em seu peito desde o dia do casamento saísse.

Suas lágrimas rolavam em suas bochechas como cascatas. Quentes e salgadas, seus soluços eram abafados pelo travesseiro que abraçava.

Seu peito estava pressionado com o peso da insegurança que sentia. Ela amava Dante, mas não sentia da parte dele nenhum afeto, ela se questionava se ele sempre foi assim e ela nunca percebeu ou se ele realmente mudou com o tempo.

Ela ficou ali pelo resto do dia, pensou, chorou até que adormeceu.

Em seu interior pela primeira vez, agradecia que Dante não tivesse vindo atrás dela, ela queria estar só para poder chorar em paz.

Dante observou as atitudes de Ivy, percebeu que ela não estava querendo conversar, e quando a viu subir as escadas ele aguardou na sala, sentou no sofá e olhou o celular.

Esperava ver alguma mensagem de Ellie, mas a mesma ainda não tinha se comunicando desde a noite anterior.

Observando que Ivy não voltou, depois de uma hora, ele subiu as escadas e foi até o quarto do casal, abriu a porta vagarosamente para que ela não percebesse a sua presença, olhou em volta, o quarto estava todo escuro e silencioso, percebeu que sua esposa estava dormindo, agarrada ao travesseiro, suas bochechas ainda estavam úmidas. Sua fronha estava molhada, ela tinha chorado bastante.

Dante não entrou no quarto, da porta onde estava, voltou para trás. Decidiu fazer algo melhor e mais prazeroso. Iria até Ellie.

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