Ao ver a situação, Javier não teve escolha a não ser dizer a verdade: "Foi o Diretor Jardim quem me pediu para te entregar isso."
Da última vez que a examinara, descobrira que ela estava um pouco anêmica, e ultimamente, cuidando de Luciano no hospital, seu corpo certamente estava mais fragilizado.
No entanto, Renan não veio pessoalmente, preferindo pedir a Javier que entregasse os itens a ela.
Eram todos suplementos de qualidade, coisas que pessoas comuns dificilmente consumiriam.
Ao ouvir o nome de Renan, Katarina ficou ainda mais decidida a não aceitar. "Se for remédio, eu compro. Se não for, então não precisa."
"Obrigada pela gentileza, Dr. Vargas."
Assim dizendo, ela foi direto ao caixa.
Katarina entregou o recibo à funcionária responsável pelo pagamento. "Oi, eu gostaria de quitar a taxa de internação."
"Só um momento." Após fazer as contas, a funcionária devolveu a Katarina um maço de dinheiro. "Este é o valor restante, por favor, guarde bem."
Katarina ficou confusa. "Eu vim aqui para pagar, não para receber."
A funcionária olhou para o que aparecia na tela do computador e explicou: "Consta aqui que há um valor depositado em seu nome, esse é o troco após descontarmos as despesas médicas."
Katarina nunca depositara dinheiro ali. Ela perguntou, desconfiada: "Quando foi feito esse depósito?"
A funcionária checou novamente e respondeu: "No dia 22 de junho."
"Eu não depositei dinheiro algum." Katarina tinha certeza disso.
A funcionária, sabendo que o sistema não errava, explicou: "Talvez tenha sido algum familiar seu. Aqui consta o registro."
"Mas…" Katarina ainda queria esclarecer mais, mas as pessoas na fila já começavam a reclamar.
A funcionária se desculpou: "Senhora, se quiser consultar mais informações, por favor, dirija-se ao balcão de atendimento. Preciso atender os próximos pacientes."
Vendo o impasse e o incômodo dos que esperavam, Katarina desistiu. "Tudo bem, obrigada."
Katarina pensou nos colírios que usava desde pequena, algo comum para cansaço ocular, e achou que tinha um nome relacionado à hidratação.
"Tem a palavra ‘hidratação’ no nome, mas não lembro direito qual é."
Javier não demonstrou se acreditara ou não, apenas assentiu levemente: "Certo. Se sentir algum desconforto nos olhos, o ideal é marcar uma consulta com o oftalmologista aqui no hospital."
"Vou sim, obrigada, Dr. Vargas." Katarina respondeu de forma evasiva e logo se despediu: "Preciso ir."
No caminho, lembrou-se de que ainda não fora ao balcão descobrir a origem do dinheiro.
Decidiu então esperar Javier sair para só depois procurar atendimento, evitando encontrá-lo novamente.
Por que, de repente, ele perguntara o nome do colírio que ela usava?
Será que naquele dia, fora do banheiro, ele vira tudo?
Mas era só um colírio, não havia motivo para tantas perguntas, certo?

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