Ele pegou uma pedra afiada que encontrou por ali e cortou duas tiras do tecido da barra de sua própria camisa.
Katarina ainda estava curiosa sobre o que ele fazia, até que ele puxou a mão dela, o gesto surpreendentemente delicado, e usou as tiras de pano para enfaixar o local onde ela havia se arranhado.
"O que você está fazendo?" Katarina sabia exatamente o que ele fazia, mas tudo aquilo lhe parecia um pouco irreal.
"Não quero que o ferimento infeccione." Depois de terminar o curativo no dorso da mão dela, Renan começou a enfaixar o pescoço dela também.
Katarina colaborou, mantendo-se imóvel. Quando ele terminou, ela instintivamente quis tocar o curativo, mas foi impedida por ele: "Não mexa."
"Você também…" Ela notou que o dorso da mão dele também estava arranhado, mas ele parecia não ter intenção de cuidar disso. "Me ajuda a levantar."
Katarina o apoiou, mas quando ele tentou se levantar, soltou um gemido de dor: "Ai…"
"Dói muito?" Katarina o fez sentar novamente. "Deixa eu dar uma olhada."
Renan arregaçou a barra da calça e o tornozelo estava mesmo inchado.
"Parece que não vai dar pra andar." Katarina, um pouco atrasada, pegou o celular, mas infelizmente não havia sinal algum.
Ela perguntou a Renan: "Seu celular pega sinal?"
O problema do celular de Renan era ainda maior. Ele tirou o aparelho do bolso e mostrou a ela.
A tela estava completamente destruída, preta como breu.
Katarina desistiu de tentar. Observou ao redor, murmurando para si mesma: "Acho que estávamos na trilha da serra há pouco, então ainda estamos em meio à mata."
Ela olhou para cima, tentando encontrar um caminho para subir.
Renan pareceu adivinhar o que ela pensava e, para desanimá-la, disse: "Não tem como subir. O melhor é tentar descer um pouco."
"Você consegue andar?" Katarina pensou que, se a distância não fosse grande, talvez conseguisse subir sozinha em busca de socorro.
"Andamos tanto tempo, mas não conseguimos nem ver onde está o sol." Katarina olhava para o alto de tempos em tempos, mas não conseguia encontrar nenhum sinal do sol.
Ela já tinha assistido a programas de sobrevivência e sabia que, se estivesse perdida numa floresta ou em algum lugar sem referência, a primeira coisa a fazer era identificar um rumo e seguir sempre na mesma direção — uma hora acabaria saindo dali.
O problema era que eles nem sabiam onde estavam.
"As nuvens taparam o sol. Vai ver escurece e ainda chove." Renan especulou.
Katarina suspirou levemente: "Se ao menos víssemos o sol, saberíamos pra onde ir. Mas se formos sempre numa direção, uma hora vamos sair."
"Você se arrepende?" Renan perguntou de repente.
"O quê?" Katarina já havia encontrado um pedaço limpo de chão e se sentara.
Vendo que ela não o apoiaria mais, Renan se sentou ao lado dela, sem cerimônia.

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