Katarina Serpa olhou para a marmita que ele carregava e perguntou: "Sr. Simões, o senhor trouxe café da manhã?"
"Trouxe mingau e capeletti," respondeu Emerson Simões.
Katarina então disse, sem muita cerimônia: "Pode servir um pouco de mingau para o Luciano? Vou ao banheiro."
"Claro." Emerson assentiu com um leve aceno de cabeça.
Katarina deixou o quarto do hospital e seguiu em direção ao banheiro.
Mas, na verdade, havia um banheiro privativo dentro do próprio quarto.
Emerson pensou em lembrá-la disso, mas foi impedido pelo olhar de Luciano Serpa.
A irmã estava escondendo algo dele.
Katarina chegou ao banheiro, lavou as mãos na pia e então tirou um colírio da bolsa para pingar nos olhos.
Quando estava prestes a guardar o colírio, ouviu uma voz masculina atrás de si: "Sra. Jardim?"
Katarina levou um susto, instintivamente fechando a mão em torno do frasco de colírio, sem querer que alguém a reconhecesse.
Ela se virou e viu Javier Vargas.
"Dr. Vargas?"
Ficou surpresa ao encontrá-lo ali.
Javier era o médico particular de Renan Jardim; sempre que surgia algum problema, era ele quem procuravam.
Mas ele não tinha seu próprio consultório? O que estaria fazendo ali?
Javier, ao perceber que ela estava sozinha, perguntou: "O Diretor Jardim trouxe a senhora ao hospital?"
"Não," Katarina negou.
"A senhora veio sozinha?" Javier perguntou com um tom sério: "A senhora ainda está muito debilitada, ele não deveria ter deixado você vir sozinha."
Katarina ficou um pouco confusa: "Dr. Vargas, não estou entendendo o que o senhor quer dizer."
Javier percebeu, pelo semblante dela, que talvez não soubesse do que havia acontecido no dia anterior.
"Ontem a senhora desmaiou, o Diretor Jardim me chamou até lá." Javier explicou rapidamente e emendou: "A senhora não sabia?"
Como médico particular de Renan, ele sentia-se responsável por zelar pela saúde de Renan e de sua esposa.
Por precaução, decidiu avisar Renan sobre o ocorrido.
Pegou o celular e ligou para Renan: "Diretor Jardim, o senhor está sabendo que sua esposa está no hospital acompanhando alguém?"
Nos últimos dias, Renan não tinha descansado bem por causa das questões de desapropriação e também de Katarina.
Mesmo sem contratar alguém para vigiá-la, sabia que ela estaria lá no hospital.
"Estou sabendo," respondeu ele, com voz baixa e cansada.
Javier percebeu o desânimo até pelo telefone: "O que houve?"
"Não dormi direito." Renan respondeu, massageando as têmporas.
Javier, preocupado, perguntou: "Quer que eu dê uma olhada no senhor?"
"Não precisa." Renan recusou prontamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Perder a Luz