O sol se pôs a oeste, tingindo o céu com um tom avermelhado.
Depois de se despedirem do último convidado, alguns recolheram seus pertences e se despediram de Evelina antes de deixarem o estúdio.
Alice ainda estava preocupada com Evelina, mas, ao ouvir que Nivaldo viria buscá-la, sentiu-se tranquila e saiu carregando sua mochila.
Após sentar-se um pouco na sala de descanso, Evelina recebeu uma mensagem de Nivaldo.
Ela saiu.
O carro preto, já conhecido, estava estacionado à beira da rua.
A janela estava aberta, e Nivaldo estava ao volante.
Ele vestia uma camisa branca, com o colarinho casualmente aberto, deixando à mostra uma clavícula delicada.
O punho apoiado no volante tinha a manga arregaçada de forma despreocupada, e através do tecido de boa qualidade da camisa era possível perceber a musculatura firme e definida.
Ao vê-la se aproximar, Nivaldo saiu do carro e dirigiu-se à porta do passageiro para abri-la, com movimentos elegantes e reservados.
Evelina sorriu docemente para ele. "Obrigada."
Ela se sentou, curvando-se levemente, e só então Nivaldo fechou a porta e contornou o carro para voltar ao lugar do motorista.
O carro seguiu tranquilamente pela rua.
Nivaldo olhava para frente e perguntou: "Como foi o dia hoje, está cansada?"
"Não estou cansada."
Na verdade, ela não estava cansada; sentia-se plenamente satisfeita.
Com um sorriso nos lábios e um brilho especial nos olhos, parecia estar de ótimo humor.
Nivaldo respondeu com um "Hum", e sua voz acompanhou o tom alegre dela.
Evelina recostou-se no banco, observando os prédios passarem pela janela, até que de repente percebeu algo estranho.
Ela virou-se, bastante curiosa. "Não vamos para casa?"
Nivaldo respondeu: "Vamos jantar no Poesia à Mesa."
Os olhos de Evelina se arregalaram.
Poesia à Mesa.
Não era justamente sobre esse restaurante que haviam conversado no almoço?
Não era questão de vaidade, mas ele acabara de ser mencionado como um lugar excelente, e agora Nivaldo a levava até lá à tarde.
A voz grave e envolvente do homem pronunciou cada palavra de modo claro; embora fosse uma felicitação simples, Evelina sentiu um nó inexplicável na garganta.
Ela fitou Nivaldo sem piscar, sem reagir por um tempo.
Ao notar sua hesitação, Nivaldo estendeu novamente as flores. "Não gostou?"
Evelina voltou a si e aceitou o buquê.
Era um arranjo grande; ela o abraçou com ambas as mãos. "Gostei, sim."
Ao baixar os olhos, viu um pequeno cartão preso às flores, com uma mensagem de felicitações.
À Sra. Evelina Sampaio:
Que todos os caminhos sejam suaves daqui em diante.
Assinado,
Nivaldo.
Os olhos de Evelina se encheram novamente de emoção; em instantes, as letras à sua frente ficaram borradas pelas lágrimas.
Evelina levantou a cabeça, mas não conseguiu se conter: uma lágrima escorreu.

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