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Quando o Coração se Encontra romance Capítulo 36

“Com certeza, é porque você não costuma sorrir muito quando está fora.”

Afinal, na primeira vez que o viu, ela já havia experimentado sua indiferença com estranhos.

Se não fosse alguém que convivia frequentemente com ele, dificilmente teria a oportunidade de ver isso.

“Provavelmente.” Nivaldo respondeu de forma breve.

Os dois conversaram sobre assuntos diversos, sem muita continuidade. Logo, o carro parou diante da casa.

Nivaldo foi até o porta-malas pegar as bagagens. Evelina estendeu a mão, prestes a ajudar, mas ele a impediu: “Deixe comigo.”

Eram duas malas, que ele levantou com facilidade.

Sem ter o que fazer, Evelina balançava as mãos, caminhando despreocupada atrás dele.

Quando estavam quase chegando à porta, ela de repente parou, os olhos negros se fixaram e, franzindo as sobrancelhas, dirigiu-se a Nivaldo: “Esqueci um item no carro.”

Nivaldo parou também, não perguntou o que era, apenas tirou a chave e entregou a ela.

Evelina voltou rapidamente à garagem, abriu a porta e pegou o livro que havia deixado no banco do passageiro.

Ao retornar para a sala, Joana já a esperava: “Senhora, que bom que voltou. O jantar já está pronto.”

“Obrigada, Joana.” Evelina sorriu e assentiu para ela, em seguida perguntou: “E o Nivaldo?”

“O senhor subiu com as malas.”

Evelina assentiu, indicando que entendeu. De repente, olhou para Joana e perguntou: “Joana, há fragmentadora de papel em casa?”

“Sim, senhora. O senhor costuma usá-la com frequência, então há uma no escritório.” Joana, curiosa, questionou: “Para que a senhora precisa de uma fragmentadora?”

Evelina entregou o livro que segurava: “Este livro não tem mais utilidade. Pode levá-lo ao escritório e destruí-lo para mim, por favor?”

Joana recebeu o livro, demonstrando certo pesar: “Parece estar em bom estado. Não vai mais usá-lo?”

“Não.” Evelina balançou a cabeça, com um tom de alívio. “Agradeço, Joana.”

Ela já havia pensado em jogá-lo fora, mas não tivera oportunidade.

Ele estendeu a mão: “Deixe-me ver.”

Joana, sem hesitar, entregou o livro a ele.

Era um bom livro, em perfeito estado. Destruí-lo sem motivo aparente era realmente um desperdício.

Ao folhear, abriu-se a capa e, de imediato, uma caligrafia delicada e bela saltou aos olhos, acompanhada de uma frase poética:

O amor juvenil é o mais puro e o mais direto.

Só de ler aquela frase, Nivaldo pôde imaginar o sorriso de Evelina, os olhos semicerrados de alegria, escrevendo cada palavra com cuidado.

No entanto, aquele amor não havia sido devidamente valorizado.

O olhar escuro de Nivaldo ficou por um instante preso no nome de Evelina, e ele apertou os lábios numa linha reta.

Após alguns segundos de contemplação, esboçou um leve sorriso quase imperceptível, fechou o livro e o devolveu a Joana: “Faça como ela pediu, leve para destruir.”

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