Carolina caminhou até ele, envolveu sua cintura com os braços e encostou o corpo inteiro nele. “Você já faz vários dias que não passa um tempo comigo de verdade. Hoje, enquanto comprávamos as alianças, você também não estava prestando atenção. Disse que ia me acompanhar para fazer compras, mas acabou não ficando comigo.”
Era possível perceber que havia bastante reclamação em suas palavras.
Marco mexeu os lábios, prestes a responder, mas ouviu Carolina continuar: “Mas, você disse que tudo isso é pelo nosso futuro, então não vou insistir no seu erro.”
“Já pensei em tudo. Quando você tiver trabalho para resolver, pode se concentrar, não vou te atrapalhar. Mas, quando estiver livre, quero que fique comigo de verdade, está bem?”
Carolina levantou o rosto e olhou para ele com os olhos brilhando. “Eu sinto muito a sua falta.”
Os olhos dela lembravam muito os de Evelina, especialmente porque Evelina também costumava olhá-lo assim.
Dois olhos vivos e expressivos, semelhantes a uvas, piscavam como se pudessem falar.
Marco ficou distraído por um momento e não rejeitou. Colocou uma das mãos na cintura dela e assentiu com a cabeça.
Carolina, tomada de alegria, envolveu o pescoço dele com os braços, ficou na ponta dos pés e depositou um beijo nos seus queixos.
Depois, o beijo subiu devagar, até alcançar os lábios finos de Marco.
Ela piscou, estendeu a língua e passou levemente pelos lábios dele.
O olhar de Marco ficou indecifrável. Reprimiu o desconforto interior, fechou os olhos e assumiu o controle, aprofundando o beijo lentamente com ela.
À medida que o calor aumentava, Carolina desceu as mãos e, ao tentar desfazer o roupão de banho do homem, foi impedida por ele, que segurou seu pulso.
O clima de intimidade se dissipou consideravelmente naquele instante. Carolina abriu os olhos, confusa, e olhou para ele.
Sempre era assim. Ela percebia a reação dele, porém, por algum motivo, ele sempre conseguia se controlar.
Marco ficou surpreso. Os insultos frios de Evelina ecoaram em seus ouvidos, e seu coração foi tomado por uma dor incômoda, como se estivesse sendo picado por formigas por toda parte.
Só depois que Carolina colocou algo em sua bebida foi que ele soube o que ela havia feito. Naquele momento, seu primeiro impulso foi procurar Evelina, mas já era tarde demais.
Evelina já tinha sido drogada e entrado em um quarto. O que tinha que acontecer, já havia acontecido.
Ele tremia de raiva, a ponto de querer despedaçar Carolina, mas, por mais furioso e desesperado que estivesse, o fato já estava consumado.
Depois de ponderar, acabou não fazendo nada, passando a noite inteira sozinho no escritório.
A única coisa que fez foi se enganar, tentando esquecer o que acontecera com Evelina naquela noite.
Durante mais de um mês, ele não procurou ninguém para investigar o que tinha acontecido no hotel naquela noite, tampouco buscou o homem que estivera com Evelina.

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