Ela franziu a testa e, por fim, configurou o celular para recusar chamadas de números desconhecidos.
Do outro lado, Marco, que não conseguia completar a ligação, já estava com o rosto tão fechado quanto o fundo de uma panela, tão sombrio que chegava a assustar.
Ele olhou para o número que discava, já tão familiar, e sentiu uma angústia crescente tomar conta de seu peito.
Era como se algo que ele prezava imensamente estivesse escapando de suas mãos, pouco a pouco.
Nesse momento, o telefone do assistente tocou, trazendo notícias sobre um novo projeto da empresa.
Sobre esse assunto, ele realmente não mentira para Carolina; os projetos eram de extrema importância para ele. Embora já tivesse se destacado dentro do Grupo, isso estava longe de ser suficiente.
Conquistar o Grupo Sampaio era apenas o começo.
No entanto, ele precisava acelerar o passo.
Se não agisse logo, acabaria perdendo Evelina de vez.
Marco massageou as têmporas e precisou, por ora, deixar de lado as questões relacionadas a Evelina.
Reprimiu aquela inquietação que lhe tirava a paz, virou-se e saiu para a empresa.
Nivaldo colocou as frutas lavadas sobre a mesa à frente de Evelina. Observou o conteúdo que aparecia na tela do computador dela, depois voltou o olhar para o cenho franzido da jovem e perguntou:
“Conseguiu contratar alguém?”
Tendo decidido reabrir o estúdio, Evelina publicara um anúncio de vaga assim que retornou, usando a internet.
“Conversei com um candidato, mas não achei muito adequado.” Evelina largou o celular e voltou a se concentrar no computador.
“Vai com calma, não precisa ter pressa.”
Evelina respondeu:
“Não estou com pressa.”
O anúncio de vaga havia sido publicado há pouco tempo; mesmo que quisesse, ela não teria motivos para tanta ansiedade.
Como diz o ditado, a pressa é inimiga da perfeição. Conseguir reabrir o estúdio já era uma grande vitória; o restante poderia ser resolvido com tempo, sem preocupações.
Nivaldo a observou mais uma vez; aquela leve inquietação em seu rosto já desaparecera, como se fora apenas uma ilusão.
No espaço em branco da página, uma caligrafia feminina, delicada e ordenada, deixava a seguinte frase:
“As pessoas têm seu próprio vento suave, eu tenho minha própria lua brilhante.”
Não havia assinatura, mas não era preciso pensar muito para saber que era a letra de Evelina.
Ha!
Os lábios de Carolina se curvaram num sorriso frio; as palavras “lua brilhante” ardiam em seu olhar.
Para Carolina, aquilo era uma provocação escancarada, um lembrete constante de que Marco e Evelina também tinham um passado.
Ela fechou o livro e o atirou sobre a mesa com um estalo seco.
“Por que você veio até aqui?” O barulho alto ecoou nos ouvidos de Marco, que acabava de entrar.
Ao ouvir o som, ele caminhou até o escritório e, ao ver Carolina, não demonstrou surpresa; apenas afrouxou um pouco a gravata enquanto perguntava.
Carolina hesitou por um instante, disfarçou o desprezo e o desdém em seu íntimo, e caminhou até ele com um sorriso leve. Ao se aproximar, sentiu de imediato o leve cheiro de álcool.

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