Depois de falar, Nivaldo percebeu que sua atitude não tinha sido das mais adequadas. Temendo que Evelina interpretasse mal suas palavras, ele se apressou em explicar com calma: “Ela não tem nada de grave. Você acabou de engravidar, então vou esperar um pouco antes de te apresentar para eles.”
“Minha família… é um pouco agitada. Você não está se sentindo muito bem nesses dias e eu tenho receio que isso te afete.”
Sua mãe e sua avó insistiam todos os dias para que ele se casasse. Se soubessem da gravidez de Evelina, certamente não deixariam isso passar tão facilmente.
Pensando nisso, Nivaldo sentiu uma leve dor de cabeça.
Na verdade, Evelina não tinha nenhuma objeção a respeito disso. Na realidade, sentiu até um certo alívio, mas jamais esperava que fosse por esse motivo.
No entanto, não ver a família dele também lhe pareceu bom.
Os dois acontecimentos daquele dia já tinham superado todas as suas expectativas.
Se ainda precisasse encarar a família dele, temia não saber como lidar com tudo.
Eles caminharam por mais algum tempo. À medida que o céu escurecia, a temperatura também começava a cair.
Uma brisa suave passou, e Evelina esfregou as mãos para se aquecer.
Nivaldo olhou para ela, franziu levemente as sobrancelhas e tirou o próprio casaco, colocando-o sobre os ombros dela.
Evelina, surpresa, levantou o olhar para ele, mas antes que dissesse qualquer coisa, a voz de Nivaldo soou:
“Vista isso para não ficar resfriada. Não faz bem para o bebê.”
As palavras de recusa que Evelina tinha preparado ficaram presas em sua garganta. Ela ajeitou o casaco e sentiu um calor reconfortante tomar conta de seu corpo.
“Obrigada”, ela disse.
Nivaldo assentiu distraído: “Uhum.”
No entanto, fora do alcance do olhar de Evelina, seus traços se suavizaram, como se tivesse notado o alívio dela.
Quando chegaram em casa, Nivaldo entregou a Evelina um cartão bancário e um documento de propriedade. “O dinheiro no cartão está à sua disposição.”
Ao ver as palavras “Certificado de Propriedade” na capa vermelha do documento, Evelina paralisou, completamente confusa.
O cartão bancário ela compreendia, mas o que significava aquele documento de propriedade?
Repartir bens logo após o casamento?
Não havia engano — aquele endereço era o do seu estúdio.
E, surpreendentemente, estava registrado em nome dela.
De fato, Nivaldo era mesmo muito eficiente. Provavelmente já tinha descoberto tudo sobre o passado dela.
Só não esperava que, em tão pouco tempo, ele tivesse providenciado tudo.
Com força, Evelina segurou o documento de propriedade, abaixou o olhar e fixou os olhos sobre o próprio nome. Uma emoção inexplicável tomou conta de seu peito, deixando-a sufocada.
Nesse instante, o som da água do chuveiro ecoou do banheiro, como uma pedra lançada na água, deixando seus pensamentos ainda mais confusos.
Logo, ouviu-se o barulho da porta do banheiro. Evelina, instintivamente, olhou naquela direção.
Nivaldo apareceu usando um roupão branco, frouxamente amarrado na cintura, deixando parte do peito à mostra e sugerindo a presença de músculos bem definidos. Os cabelos ainda estavam úmidos, e uma ou outra gota de água escorria, desaparecendo no tecido do roupão.
Evelina reconhecia que era uma pessoa comum, então ficou olhando, encantada.
Seu olhar subiu lentamente e, de repente, encontrou os olhos escuros de Nivaldo, fazendo-a despertar de imediato. Ela desviou o olhar rapidamente, sentindo as orelhas esquentarem.

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