Evelina umedeceu levemente os lábios ressecados. Antes que pudesse dizer algo, a voz de Nivaldo soou novamente: “Está com fome?”
Evelina assentiu com honestidade.
Quase não comera nada o dia inteiro e ainda percorrera tantos lugares; realmente estava faminta.
Nivaldo assentiu. “Descanse um pouco, daqui a pouco eu chamo você para comer.”
Evelina tornou a acenar com a cabeça, de forma instintiva, e só quando viu as costas dele se afastando é que se deu conta do que acontecia.
Aquilo queria dizer que ele ia cozinhar?
Evelina realmente se surpreendeu; não imaginava que alguém como Nivaldo, um verdadeiro privilegiado, soubesse cozinhar.
Pessoas como ele normalmente não tocavam em tarefas domésticas.
Era preciso admitir que ela acabava de adquirir uma nova percepção sobre ele.
Após o choque inicial, Evelina passou a observar o quarto. Num rápido olhar, percebeu que o ambiente era limpo e organizado; tudo estava em perfeita ordem, demonstrando claramente que quem morava ali era extremamente disciplinado.
Depois de se ambientar um pouco, Evelina abriu a mala, retirou os poucos pertences, colocou os itens de higiene no banheiro e as roupas no closet.
Não havia trazido muita coisa, então em poucos minutos já estava tudo arrumado.
Sentou-se no sofá ao lado, acariciou suavemente o próprio abdômen e soltou um longo suspiro.
O ateliê já não existia mais, e ela imaginara que a vida seguiria daquele jeito.
No entanto, agora, por causa do bebê que carregava, seu cotidiano ganhara novas expectativas.
Essas expectativas já haviam superado a raiva que Marco lhe causara.
Quando Evelina desceu, Nivaldo acabava de colocar todos os pratos sobre a mesa. Ao vê-la, indicou que se sentasse: “Por causa do tempo, só preparei algo simples.”
Dois pratos e uma sopa, com ótima aparência.
Evelina sorriu, elogiando com sinceridade: “Já está muito caprichado.”
O fato de alguém como ele entrar na cozinha já era surpreendente, ainda mais apresentando pratos tão bem feitos.
Nivaldo serviu-lhe arroz e lhe ofereceu uma tigela de sopa.
“Obrigada.” Evelina pegou os hashis, apanhou um pedaço de carne e, ao aproximar da boca, um leve cheiro de gordura subiu-lhe pelas narinas, fazendo o estômago revirar de repente.
“Urgh...” Ela avistou o lixo ao lado, empurrou a cadeira e correu até lá para vomitar.
Nivaldo franziu o cenho, trazendo água e papel para ela.
Fazia sentido.
Evelina tocou a barriga, já influenciada por Nivaldo, e repetiu em silêncio:
Bebê, seja bonzinho. Deixe a mamãe comer bem para que você possa crescer rápido...
De volta à mesa, Evelina ignorou a carne e tomou primeiro um pouco da sopa.
Felizmente, dessa vez não houve problema. Parecia mesmo que o bebê ouvira o pedido deles, pois não sentiu mais nenhum incômodo e comeu tranquilamente uma pequena porção de arroz.
Depois da refeição, Nivaldo foi lavar a louça e pediu que Evelina fosse descansar.
Evelina sentou-se no sofá da sala, observando calmamente ao redor.
No início, ainda se sentia desperta, mas logo as pálpebras começaram a pesar.
Quando Nivaldo saiu da cozinha, viu Evelina encolhida no sofá, com as mãos sobre a barriga, já dormindo tranquilamente.
Na transição do verão para o outono, o clima começava a esfriar, e Evelina não estava coberta com nada.
O sofá, afinal, não era uma cama; encolhida daquele jeito, qualquer movimento poderia fazê-la cair.
Nivaldo se aproximou, curvou-se e a pegou delicadamente nos braços.

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