O quê!
Casar no cartório?
Seus olhos se arregalaram como sinos de bronze, e ao desviar o olhar, fixou-se em Evelina, transbordando incredulidade.
Conversaram por apenas dois minutos e já iriam casar?
No entanto, Nivaldo não se importou com ele e saiu levando Evelina.
Wilson demorou a assimilar o que acontecera; mesmo depois que os dois sumiram de vista, ainda questionava se tinha ouvido direito.
Isso... Isso realmente era casamento no cartório?
Com sentimentos contraditórios, Wilson foi comprar o mingau que Beatriz Rodrigues queria tomar e retornou para o quarto do hospital.
Lorena Moreira estava conversando com Lu Shu Hui e, ao ver Wilson entrando sozinho, perguntou: “E o Sr. Monteiro?”
“O Sr. Monteiro, ele...” Wilson hesitou por um momento, achando absurdo o que estava prestes a dizer.
“O que houve?” Lorena soltou um leve suspiro, as sobrancelhas delicadas ligeiramente erguidas.
Como se já soubesse o desfecho, falou com um tom calmo e convicto: “Foi resolver mais trabalho, não é?”
Beatriz também suspirou: “Wilson, sempre aconselhe ele a descansar um pouco. Trabalhou direto por um mês, voltou com dificuldade e mesmo assim não para. Se faltar dois dias na empresa, ela não vai falir.”
“Não é isso. O Sr. Monteiro não foi para a empresa, ele...”
Wilson respirou fundo: “Ele foi casar no cartório.”
“...”
O quarto ficou em silêncio por um instante. Era para ser uma notícia bombástica, mas não causou nenhuma reação, nem um pouco.
Lorena soltou um riso de desdém: “Certificado de funcionário do mês?”
Wilson ficou sem palavras, quase concordando com aquela resposta.
De fato, parecia mais plausível.
Porém, ele resolveu falar a verdade: “É certidão de casamento.”
Ele apenas assentiu, sem se explicar mais.
Realmente era difícil de acreditar.
Se não tivesse esperado pessoalmente lá embaixo, também não acreditaria de jeito nenhum.
De toda forma, já tinha contado uma vez. O resto, deixaria para o Sr. Monteiro explicar pessoalmente.
No carro, Nivaldo perguntou o endereço de Evelina e dirigiu até a casa dela.
Pegou os documentos, e quando Evelina fechou a porta, hesitou novamente. Mordeu os lábios e falou: “Talvez seja melhor não casarmos.”
Nivaldo abaixou os olhos para ela, o olhar profundo e obscuro, como se tentasse desvendar seus pensamentos.
Evelina segurou os documentos e deu um sorriso amargo: “Não sou tão simples quanto você pensa. Se casar comigo pode causar problemas para você, não quero te prejudicar.”
Naquele dia, Marco a obrigara a encerrar o ateliê. Se ele descobrisse que ela se casara com Nivaldo, certamente tentaria prejudicá-lo de todas as formas.
Concordara em casar num impulso, mas agora, pensando melhor, percebia que não era sensato.

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