Ela o olhou, confusa.
— O que foi?
— Nada. — Sérgio a puxou um pouco mais para perto. O olhar dele percorreu o rosto iluminado dela, parando, enfim, nos lábios recém-retocados com batom.
Com a mão, segurou-lhe o rosto; o polegar dele roçou de leve sobre a boca dela, espalhando um pouco da cor em seu próprio pele.
Larissa deu um tapa irritado na mão dele.
— Acabei de passar esse batom! Você tem algum problema ou… — As palavras se perderam quando ele a puxou de vez para o peito e a beijou. O aroma suave dela o envolveu por completo.
Ele estava sóbrio, mas inexplicavelmente tonto, como se o sorriso dela — tão natural, tão encantador durante o jantar — o tivesse embriagado. Desde aquele momento, ele quis beijá-la. Esperou até agora, e percebeu que nunca houve motivo para se conter.
Ela era sua esposa. E esposa a gente beija quando quer, abraça quando quer. Era um direito dele.
Saciado, Sérgio enfim se afastou. Fitou a mulher em seu colo, com o batom borrado e os olhos úmidos. Soltou uma risada rouca, pegou na mão dela e a conduziu até o carro.
O motorista, discreto, levantou a divisória.
Assim que entrou, Larissa se afastou o máximo possível. Pegou o espelho e o batom, irritada, enquanto retocava a maquiagem.
— Você é insuportável, sabia? Em público, fazendo essas cenas… Sabe quanto tempo levei pra deixar essa make perfeita?
Sérgio a observava, despreocupado, um sorriso brincando nos cantos dos lábios.
— E não foi justamente pra eu ver?
— Que presunção! — ela bufou. — Você entende o que é maquiagem? Acha mesmo que faço só pra te impressionar? Sabe ao menos o nome do meu batom?
— Se me contar, eu vou saber. — Ele se inclinou, tentando pegar o batom da mão dela.
— O que você pensa que está fazendo?
— Ora, se eu estraguei, posso arrumar pra você.
— Nem pense! — Ela o afastou e, depois de hesitar um segundo, entregou a ele o espelho. — Segura pra mim.
— Está bem. — Ele segurou, o olhar cheio de ternura e paciência.

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