Sofia não queria ir tomar banho primeiro.
Mantinha certa cautela em relação a Miguel.
Ali, se Miguel realmente quisesse fazer algo com ela, por consideração a Valdemar, provavelmente não recusaria nem resistiria.
Além disso, da última vez em que Miguel a forçou, ela lutou com todas as forças, mas foi inútil.
Miguel digitava no teclado.
Ao notar que Sofia continuava parada, ergueu os olhos e lançou um olhar na direção dela.
No instante em que os olhares se cruzaram, Sofia sentiu como se ele tivesse enxergado todos os seus pensamentos.
Miguel sorriu.
Os olhos, sempre frios, dessa vez se estreitaram levemente, carregados de um ar perigoso.
Antes que Sofia dissesse qualquer coisa, ele se levantou e entrou no banheiro.
Logo se ouviu o som da água correndo, e Sofia soltou um suspiro de alívio.
Dessa vez, Miguel demorou mais do que o habitual no banho.
Sofia chegou a terminar um desenho de design e percebeu que ele ainda não tinha saído.
Além disso, o som da água já tinha parado, e o banheiro parecia silencioso demais.
Ela ficou um pouco preocupada, imaginando se Miguel teria desmaiado, embora aquilo não parecesse algo que pudesse acontecer com ele.
Sofia foi até a porta do banheiro e bateu de leve:
— Miguel, você está bem?
Não houve resposta.
Ao girar a maçaneta, percebeu que a porta não estava trancada. Então abriu.
A silhueta alta de Miguel surgiu bem à frente, bloqueando a passagem.
Sofia quase bateu no peito dele.
Recém-saído do banho, Miguel usava apenas uma toalha enrolada na cintura, com o torso nu.
Os músculos definidos do abdômen evidenciavam a força masculina, enquanto os fios de cabelo molhados, ainda com gotas de água, davam a ele um leve ar de sensualidade.
Sofia ficou paralisada.
Ao ver Sofia na porta do banheiro, Miguel também demonstrou surpresa nos olhos.
— Está com pressa? — Perguntou.
— Com quem você está falando?
Só ao ouvir a voz de Isabela Sofia percebeu que Miguel segurava o celular na mão.
Felizmente, Miguel já estava deitado, de costas para ela.
Já passava da meia-noite.
Sofia também estava cansada. Deitou do outro lado da cama.
A cama era grande o suficiente para que, embora dividissem o mesmo leito, houvesse certa distância entre os dois.
Nenhum dos dois encostava no outro.
Sofia apagou o abajur, e o quarto mergulhou na escuridão.
Ao lado dela, a respiração de Miguel era estável e regular, sinal de que ele dormia profundamente.
Mesmo exausta depois de um dia inteiro de trabalho, Sofia não conseguia dormir.
Na manhã seguinte, foi o despertador que a acordou.
Ao abrir os olhos, ela não parecia muito disposta.
Miguel também acordou junto com ela.
Sofia não sabia ao certo se tinha sido o alarme que o acordou.
Antes, porém, sempre era assim: ela ajustava o despertador para acordar primeiro, preparava as refeições, passava o terno de Miguel, engraxava os sapatos dele e só então chamava Miguel para levantar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Cadê o final do livro???...
Miguel e Sofia ♥ ♥...