Em um instante, Isabela arregalou os olhos, e o pavor dentro deles foi atravessado pelo relâmpago do lado de fora da janela.
Desta vez, Miguel finalmente viu no rosto dela uma culpa intensa.
Talvez Isabela tivesse interpretado o papel de Camila por tempo demais.
Talvez tivesse mergulhado tanto naquela atuação que realmente passou a acreditar que era Camila.
Por isso, aquelas palavras que gritou há pouco tinham soado tão cheias de convicção.
Como se ele realmente devesse algo a ela.
Como se Sofia devesse algo a ela.
No entanto, o olhar com que Miguel encarava ela era como um par de mãos invisíveis, quase querendo rasgar ela em pedaços.
Thiago tinha contado a ele que, segundo a investigação, Isabela nunca havia passado por internação em uma unidade socioeducativa no passado.
Isabela não era sua Camila.
— A ajuda que dei a você, a preferência que dei a você, a dignidade que preservei para você... tudo isso era para Camila.
As palavras lentas e pausadas de Miguel entraram nos ouvidos de Isabela e fizeram seu corpo tremer sem controle.
— Sem a identidade de Camila, você não é nada aos meus olhos.
Depois de dizer aquilo com indiferença, ele virou e foi embora.
No quarto, Isabela ficou caída no chão, chorando aos berros.
No fim do corredor, Thiago esperava Miguel com a testa franzida.
Logo, Miguel saiu. O sorriso em seu rosto era a expressão mais assustadora possível.
— Já conseguiram contato com o pessoal da Rotas do Silêncio?
— Já conseguimos.
— Certo.
Miguel não disse muito, mas Thiago pareceu entender muita coisa.
A noite estava escura, e a tempestade interminável parecia o céu chorando sem voz.
Thiago dirigiu e, conforme a ordem de Miguel, levou o carro até a unidade socioeducativa de Vale Central.
A unidade socioeducativa, em meio à noite de tempestade, parecia mais assustadora do que uma prisão.
Thiago viu Miguel sair do carro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Cadê o final do livro???...
Miguel e Sofia ♥ ♥...