Além disso, ele tinha uma personalidade isolada desde criança. Exceto com Ana, ele sequer falava com as outras crianças do orfanato.
O Israel Lopes adolescente era extremamente magro e pequeno, nem chegava à altura de Ana... Era uma pessoa completamente diferente do Teodoro Damasceno de agora, que aparentava ter um metro e noventa de altura.
Realmente era difícil para Ana associar os dois.
— Você... você é mesmo o Israel Lopes? — Ana não conseguia ter certeza, e ao ver que Teodoro apenas sorriu sem negar, ficou ainda mais chocada.
— Sim. — Teodoro assentiu.
Uma confirmação direta.
Ele era Israel Lopes.
Ana se lembrava claramente daquele ano. O subsídio do orfanato havia sido desviado, e as refeições das crianças tiveram que ser reduzidas. Ana, com medo de que a diretora ficasse em apuros, comia apenas uma vez por dia, pensando em economizar para os irmãos mais novos.
Quando ela estava prestes a desmaiar de desnutrição, foi Israel Lopes quem lhe entregou sua coxa de frango.
Aquela foi a primeira interação deles depois que Israel chegou ao orfanato.
Israel era recluso, tinha quarto e refeições separadas e raramente aparecia no refeitório.
Ana sentia que ele mantinha todos à distância e nunca pensou em se aproximar.
Mas foi Israel quem estendeu o primeiro ramo de oliveira.
Depois disso, Israel frequentemente levava comida para ela.
Ela era muito grata àquele irmão mais velho.
Israel Lopes disse uma vez a Ana que seu nome era Israel Lopes. Lopes era o sobrenome da mãe, e ele se sentia como um bicho do mato, um selvagem.
Ele dizia que era uma criança selvagem que ninguém queria.
— Ana, lembro que você disse uma vez que éramos família. — Teodoro olhou para Ana, o olhar ainda intenso.
Ana ficou em silêncio.
Naquela época, quando Israel disse que era uma criança selvagem rejeitada, ela o consolou dizendo: "Você não é uma criança que ninguém quer, nós somos uma família".
De fato, Ana considerava Israel como um irmão mais velho.
Mas, um ano depois, Israel foi levado embora.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
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