— Djalma, o senhor Gabriel vai decidir como achar melhor, não precisa se preocupar, Ramon Domingos é um talento raro. O velho decidiu casar Ana Rocha com ele, é uma solução perfeita para todos — disse o Diretor Castro em tom grave, afastando-se de Djalma Batista logo em seguida.
Todos se distanciaram de Djalma Batista e Diana Batista, como se ambos fossem completos estranhos naquele ambiente.
Diana Batista ficou paralisada, como se tivesse sido atingida por um raio. O velho realmente ia casar Ana Rocha com Ramon Domingos? Por qual motivo?
Ramon Domingos... Se ele se casasse com a herdeira da família Batista, seria praticamente impossível convencê-lo a mudar de lado.
Não, de jeito nenhum Ana Rocha e Ramon Domingos poderiam se casar.
Mordendo os lábios, Diana Batista pegou o celular e enviou uma mensagem para Luana Viana. Elas vinham disputando Ramon Domingos ferozmente, mas agora ele estava para se casar com Ana Rocha! Era melhor que Luana voltasse sua atenção novamente para Ana Rocha.
— Nessa altura do campeonato, não faz sentido brigarmos uma contra a outra. Unir forças contra Ana Rocha é o mais sensato — digitou Diana Batista para Luana Viana.
A resposta de Luana veio rápida:
— Por quê? Ana Rocha, aquela garota criada em orfanato, não merece nada disso.
Ficou claro: as duas finalmente haviam se entendido, estavam dispostas a enfrentar Ana Rocha juntas.
...
O velho Gabriel, antes de perder os sentidos, chamou Ana Rocha e Ramon Domingos na sala de emergência para deixar algumas orientações finais. Logo ele não resistiu e adormeceu profundamente, falecendo durante o sono, sem sofrer muito.
Ana Rocha permaneceu sentada por horas no corredor, completamente entorpecida.
Ramon Domingos, junto a outros membros mais velhos da família e diretores executivos, cuidava dos procedimentos do funeral, todos ocupadíssimos, enquanto Ana Rocha sentia como se o mundo ao redor tivesse silenciado por completo.
A última recomendação do senhor Gabriel para Ana Rocha foi: nascida na família Batista, ela deveria ter pulso firme, sem jamais hesitar diante dos desafios.
Ana Rocha do passado era muito frágil, e o velho sempre se preocupou se ela seria capaz de impor respeito diante dos interesses do grupo.
Na verdade, nem mesmo Ramon Domingos tinha sua confiança plena.
Qualquer um poderia trair; só Ana Rocha, fortalecendo-se, garantiria seu lugar no topo.
Agora que ela havia acabado de retornar à família Batista, e com a saúde do velho deteriorando-se rapidamente, o caminho traçado para ela era curto e restrito.
— Como combinamos, assim que tudo estiver resolvido, eu te entrego metade das minhas ações. Eu... — Ana Rocha começou, temendo que Ramon Domingos se magoasse por não ter herdado nada.
— Nunca foi isso que busquei. No testamento anterior, o vovô deixou bens e ações para mim, fui eu quem recusou — explicou Ramon Domingos, segurando a mão de Ana Rocha que ainda tremia com o café. Seu olhar era intenso. — Ana Rocha, daqui pra frente o caminho será difícil. Ninguém consegue acompanhar você para sempre. Nem eu. Você entende?
Ana Rocha respirou fundo, entendendo o que Ramon queria dizer.
Talvez ele... também estivesse prestes a partir.
Com o velho exigindo o casamento deles, e sabendo que Ramon Domingos jamais tomaria para si a mulher de Samuel Palmeira, isso só podia significar uma coisa: ele teria de deixar o Grupo Batista.
Com a partida dele, Ana Rocha teria que sustentar sozinha todo o Grupo Palmeira. Seria difícil.
Mas não importava o quão duro fosse, Ana Rocha teria que carregar esse fardo.
— Ramon Domingos, não importa o que aconteça, espero que nunca nos tornemos inimigos — disse Ana Rocha, com a voz rouca.
Ramon Domingos era alguém que ela não conseguia decifrar, alguém que ela jamais compreendeu completamente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...